Os Rohingya tentam fugir de Myanmar (antiga Birmânia) de qualquer maneira e por todos os meios. Nas últimas semanas morreram mais de mil membros daquela comunidade e cerca de 164 mil tentam chegar ao Bangladesh, escapando às brutais perseguições de que estão a ser alvo.

E tudo isto acontece perante o silêncio profundo de Aung San Suu Kyi. A antiga galardoada com o Prémio Nobel da Paz ocupa agora o cargo de conselheira de Estado, mas é tida como a verdadeira líder de Myanmar, no entanto, sobre o drama da minoria Rohingya o seu silêncio é tão incómodo – ou tão esclarecedor – que já levou a que se criasse uma petição online para o que o Prémio Nobel da Paz lhe seja retirado.

Parece óbvio que uma Prémio Nobel da Paz tem responsabilidades acrescidas na defesa dos direitos das populações. Sobretudo uma Nobel como Aung San Suu Kyi, que sofreu na pele as perseguições e a brutalidade, que foi salva, recebeu um dos galardões mais respeitados da comunidade internacional e chegou finalmente a líder do seu país, precisamente porque sempre teve quem a defendesse, quem nunca se calasse. É por isso absolutamente incompreensível que não tenha agora uma palavra de condenação para o que está a acontecer a esta minoria muçulmana.

Um sentimento de indignação levou Desmond Tutu, o arcebispo da África do Sul que recebeu o Nobel da Paz em 1984 pelo seu trabalho contra o Apartheid, a enviar uma missiva a Aung San Suu Kyi pedindo-lhe que acabe com a violência estatal e militar contra a minoria muçulmana Rohingya.

Eventualmente pode argumentar-se que Suun Kii, apesar de Conselheira de Estado (cargo semelhante ao de um Primeiro-Ministro) não detém todo o poder e não pode ir contra os poderosos generais. Mas se isso explica que não consiga colocar um fim às atrocidades, espancamentos, assassinatos ou violações, não explica, de maneira nenhuma, que se cale perante um genocídio. Ou que quando fale seja para pedir ao embaixador norte-americano no país para não referir sequer o nome dos Rohingyas.

O nome de um povo não se apaga, mas um prémio Nobel pode ser retirado, quando o galardoado trai manifestamente tudo aquilo que o prémio defende. Por isso pode sempre dirigir-se ao site Change e assinar a petição para que o Nobel da Paz seja retirado a Aung San Suu Kyi. À data mais de 400 mil pessoas já tinham assinado esta petição, faltando apenas cerca de 92 mil para atingir a meta dos 500 mil.

Entretanto, o Comité Nobel já avisou que estatutariamente é impossível retirar um prémio.

Foto: Wiki Commons

 

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