Depois de ter participado na revisão do Ministério do Ambiente da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ENCNB), a associação ambiental Zero quer nova visão estratégica e melhores soluções para a conservação da natureza.

Em consulta pública até 30 de Setembro passado, a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ENCNB) apresentada fica, segundo a associação ambiental, muito aquém das expectativas. Para a Zero, o documento apresentado revela uma “visão territorialmente muito confinada às áreas classificadas” e às “limitações conceptuais que não seriam expectáveis”.

Em comunicado, a ZERO defende que é “fundamental utilizar esta oportunidade única de revisão da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ENCNB) para aprofundar e fazer evoluir a actual Rede Fundamental de Conservação da Natureza.” Formada pelo Sistema Nacional de Áreas Classificadas (Áreas Protegidas, Rede Natura 2000, Sítios Ramsar, Reservas da Biosfera) e complementada pela Reserva Ecológica Nacional, pela Reserva Agrícola Nacional e pelo Domínio Público Hídrico, esta rede é, para a Zero,” essencial para dar coerência ecológica às áreas classificadas”, bem como para “posicionar Portugal na liderança europeia em matéria de ordenamento do território”, tendo em vista a Estratégia Europeia de Infraestruturas Verdes.

Os ambientalistas criticam ainda o facto de se continuar a transmitir “a ideia que o despovoamento das áreas classificadas não é inevitável e se resolve com mais investimento público e com uma maior facilitação dos usos e actividades económicas que condicionadas ou permitidas nos territórios, persistindo-se numa ideia que tem décadas de insucesso comprovado”.

Exemplo de um cenário de constantes “soluções paliativas” é a “omissão total em relação ao potencial de renaturalização para criação de áreas para a vida selvagem – o denominado wilderness – uma solução de baixo custo que está a ser seguida um pouco por toda a Europa.” De recordar que a área potencial de wilderness no nosso país poderá chegar de 14.000 km2, sendo que sensivelmente metade deste valor já se situa em Rede Natura 2000 (RN2000).

Foto: Back to Nature – Brazil