O BCSD Portugal assinala 25 anos de atividade num momento em que a sustentabilidade deixou de ser uma agenda periférica para ganhar espaço nas estratégias e decisões das empresas. Criada em 2001 por 36 empresas, a associação reúne atualmente 209 empresas de 23 setores de atividade e contabiliza, ao longo do seu percurso, 370 empresas que fizeram parte da sua rede.
A evolução é retratada no Relatório de Impacto dos 25 anos do BCSD Portugal, que reúne indicadores sobre o trabalho desenvolvido nas áreas do conhecimento e capacitação, colaboração e inovação e influência estratégica. Entre os resultados estão mais de 18 mil participações em ações de formação, mais de 1.600 horas de formação, mais de 400 workshops e sessões temáticas e mais de 400 casos de estudo de empresas membro.
A atividade de formação acompanhou também a evolução da própria agenda da sustentabilidade empresarial, abrangendo temas como eficiência energética, responsabilidade social, economia circular, biodiversidade, finanças sustentáveis e diversidade, equidade e inclusão.
Desde 2023, a Academia BCSD Portugal veio reforçar esta componente, com diferentes níveis de aprendizagem e formação especializada e à medida. A organização aponta uma taxa média de satisfação de 93% desde o lançamento da Academia.
Ao longo de 25 anos, o BCSD Portugal produziu ainda mais de 40 publicações originais e traduziu para português outras tantas do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), contribuindo para a circulação de conhecimento e de experiências entre empresas portuguesas e a rede internacional.
A associação destaca também a criação do Observatório de Sustentabilidade Empresarial, em parceria com o Instituto Superior Técnico, que permitiu às empresas medir e comparar o seu desempenho em sustentabilidade, e da Carta de Princípios, lançada em 2017. Esta passou de 35 signatários no primeiro ano para 245 em 2024, mais de metade dos quais empresas não associadas do BCSD Portugal.
Mais empresas e mais setores
A rede empresarial acompanhou a expansão da sustentabilidade para diferentes áreas da economia. Em 2025, o BCSD Portugal reunia 104 grandes empresas, 74 PME e 38 microempresas, distribuídas por 23 setores, face aos 17 representados no início da associação.
A colaboração entre empresas concretizou-se também em mais de 75 grupos de trabalho e em 39 participações em consultas públicas relacionadas com temas de sustentabilidade. Entre 2020 e 2022, a associação promoveu ainda manifestações coletivas sobre desenvolvimento sustentável, alterações climáticas e natureza, subscritas por dezenas de empresas.
O relatório identifica uma mudança na forma como a sustentabilidade passou a ser integrada nas organizações. De uma área muitas vezes tratada de forma autónoma, passou a estar presente em documentos estratégicos, objetivos de longo prazo, planos de transição climática, estruturas de governação, indicadores ESG e processos de reporte.
“Há 25 anos, falar de sustentabilidade nas empresas era sobretudo um exercício de antecipação. Hoje, é falar de inovação e competitividade num mundo em mudança acelerada e marcado pela incerteza”, afirma Rita Nabeiro, presidente da Direção do BCSD Portugal, citada em comunicado.
Entre 2016 e 2025, a associação contabilizou mais de 3.000 artigos e menções nos meios de comunicação social. A ligação ao WBCSD permite, por outro lado, às empresas portuguesas o acesso a ferramentas, metodologias e experiências desenvolvidas internacionalmente.
Visão 2050 para uma nova fase
O aniversário é assinalado com o lançamento da Visão 2050, que irá orientar o trabalho do BCSD Portugal em 2026 e 2027. A associação identifica a evolução regulatória, a natureza e a biodiversidade, a aceleração tecnológica, incluindo a inteligência artificial, e a instabilidade geopolítica como alguns dos fatores que deverão condicionar o contexto empresarial nos próximos anos.
A nova etapa pretende reforçar a capacidade de antecipação e colaboração entre empresas, num cenário marcado por mudanças mais rápidas e complexas.
“Celebrar 25 anos é reconhecer aquilo que foi construído, mas também assumir a responsabilidade pelo que vem a seguir”, afirma Rita Nabeiro. “Queremos que os próximos 25 anos sejam feitos de ainda mais proximidade, mais coragem para antecipar a mudança e mais capacidade para transformar conhecimento em decisões e ações concretas.”









