37% dos jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas

Este e outros dados relevantes, como a presença de 21% de potenciais carcinogénios mamários nos materiais que entram em contacto com os alimentos, serão discutidos nos dias 9 e 10 de abril, durante o 2.º Congresso Nacional de Saúde e Ambiente, na Fundação Calouste Gulbenkian.

Redação

Este e outros dados relevantes, como a presença de 21% de potenciais carcinogénios mamários nos materiais que entram em contacto com os alimentos, serão discutidos nos dias 9 e 10 de abril, durante o 2.º Congresso Nacional de Saúde e Ambiente, na Fundação Calouste Gulbenkian.

O congresso reúne cerca de 2000 participantes oriundos de 120 profissões diferentes, envolvendo mais de 100 especialistas em 20 sessões. Estes números fazem deste encontro o maior fórum nacional dedicado à relação entre saúde e ambiente, afirmando-se também como uma referência no contexto internacional.

Durante os dois dias serão abordados temas como o impacto das alterações ambientais na saúde, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, é responsável por uma em cada quatro mortes a nível global. Estarão ainda em discussão doenças transmitidas por alimentos, vírus com potencial pandémico, a prevalência na Europa de doenças anteriormente exclusivas dos trópicos, bem como doenças provocadas pelos plásticos.

Será também debatida a pegada ambiental do setor da saúde, que, em Portugal, representa cerca de 5% das emissões de gases com efeito de estufa e é uma fonte importante de produção de resíduos. Serão ainda apresentadas iniciativas inovadoras para a redução deste impacto.

Outros temas incluem a necessidade de melhorar a literacia do público e a educação dos profissionais (embora 52% da população se mostre muito preocupada com o impacto das alterações climáticas na saúde, apenas um quarto se sente realmente informado sobre o tema); a Dieta Planetária; a preparação para enfrentar catástrofes climáticas; as oportunidades da economia circular na saúde; o papel das cidades na promoção da saúde e do ambiente; a utilização de inteligência artificial na adaptação e mitigação das alterações climáticas; e a prescrição da natureza.

O congresso vai também focar-se na responsabilidade dos profissionais, que, conhecendo a forma como as alterações ambientais já estão a comprometer a saúde dos doentes, sentem a obrigação ética de se comprometer com a causa ambiental. Além disso, são das profissões em que a sociedade mais confia, sendo o seu papel na sensibilização pública fundamental para afirmar que este é um problema coletivo.

Será ainda defendida a necessidade urgente de integrar saúde e ambiente nas políticas públicas. As políticas de saúde têm ignorado o ambiente; as políticas de ambiente têm ignorado a saúde. Para metade dos portugueses, a saúde constitui a principal prioridade, enquanto as alterações climáticas ocupam apenas o 10.º lugar. Torna-se, assim, essencial comunicar que saúde e ambiente são indissociáveis.

Em paralelo, decorre a CircularMed, uma mostra de soluções inovadoras de economia circular na área da saúde, onde serão apresentadas iniciativas como a transformação de urina humana em adubo, a reciclagem de blue wrap em sacos-cama, um robô feito com resíduos hospitalares ou o aproveitamento de metais preciosos de cateteres cardíacos.

Na sessão de abertura será atribuído o Prémio Nacional da Saúde e Ambiente ao Professor João Queiroz e Melo.

Mais do que um espaço de conhecimento, o congresso pretende ser um catalisador de ação. O objetivo é promover a reflexão orientada para soluções, incentivar a cooperação e reforçar a esperança ativa de que é possível deixar às próximas gerações um planeta mais saudável, mais justo e mais sustentável. Como dizia Robert Swan, a primeira pessoa a chegar aos dois polos: “a maior ameaça para o planeta é a crença de que alguém o salvará”.

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