95% dos portugueses apoiam projetos de energia renovável nas suas localidades

Estudo desenvolvido pela Marktest para a APREN revela que a larga maioria da população defende a independência energética com base em energias renováveis e apoia a instalação de novos projetos nas suas áreas de residência, valorizando o envolvimento comunitário.

Redação

A grande maioria dos portugueses é favorável à instalação de projetos de energia renovável nas suas cidades e localidades. Segundo um estudo da Marktest para a APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis, 95% dos inquiridos, com idades entre os 15 e 64 anos, afirma apoiar projetos renováveis sustentáveis na sua área de residência, evidenciando um consenso social alargado em torno da transição energética em Portugal.

A análise por distritos evidencia, de forma geral, um elevado nível de aceitação local e de consenso local associado aos projetos energéticos, ainda que com variações consoante o grau de implementação e dos impactos económicos, ambientais e sociais.

Nos distritos com maior presença de projetos, destaca-se Coimbra com 80% de apoio local, refletindo uma convivência já consolidada. Nos territórios com projetos em desenvolvimento ou previstos, o sentimento é amplamente favorável, com Portalegre (79%), Beja (76%), Setúbal (74%), Santarém (71%) e Évora (71%) a registarem níveis consistentes de abertura a novos investimentos.

Nos distritos mistos, (com presença de vários projetos renováveis e com previsão de mais projetos no futuro) e com previsão de receber mais nos próximos anos) sobressaem dinâmicas positivas como Bragança (81%), demonstrando forte aceitação, num contexto geral de confiança na continuidade e expansão dos projetos no território.

Além da forte abertura à instalação de projetos renováveis nas comunidades locais, os portugueses reconhecem também a importância estratégica das renováveis para o futuro do País. Nove em cada dez portugueses (91%) defendem que Portugal deve investir mais em energias renováveis em detrimento dos combustíveis fósseis para a produção de eletricidade.

Os resultados revelam igualmente uma perceção muito positiva relativamente ao papel das renováveis no combate às alterações climáticas e na independência energética nacional e europeia. Cerca de 83% dos portugueses concordam que as energias renováveis contribuem positivamente para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, enquanto 91% consideram importante que a União Europeia e os seus Estados-Membros sejam energeticamente independentes de países terceiros.

Para os portugueses, os principais benefícios associados aos projetos renováveis passam pela redução do custo da eletricidade e pelo contributo para o combate às alterações climáticas, ambos identificados por 66% dos inquiridos como impactos muito relevantes.

O estudo evidencia ainda que existe uma expectativa clara de aceleração da transição energética, com 85% dos inquiridos a considerarem que as empresas privadas devem reforçar o investimento em fontes de energia renovável e 88% defendem que o Governo deve criar condições para impulsionar o crescimento do setor.

De facto, 90% concorda que o país deve dar prioridade à instalação de mais projetos renováveis, e 80% acha que os projetos renováveis devem ter prioridade sobre os demais na política energética.

No mesmo sentido, cerca de 2 em cada 3 (65%) dos inquiridos consideram que ainda se está a fazer pouco para colocar as energias renováveis ao serviço do combate às alterações climáticas. Ao mesmo tempo, 42% acreditam que Portugal está abaixo da média europeia no que diz respeito à utilização de fontes de energia renovável, um sinal de que existe uma expectativa crescente da população para que o País reforce o investimento e acelere o desenvolvimento de projetos renováveis.

Susana Serôdio, Coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, afirma que “este estudo demonstra que os portugueses reconhecem a importância estratégica das energias renováveis e querem participar ativamente nesta transformação. Os resultados mostram também que o desenvolvimento destes projetos deve assentar numa relação de confiança com os territórios e as comunidades locais. A confiança no promotor surge, aliás, como o fator mais valorizado pelos portugueses no planeamento de novos projetos, o que reforça a importância de garantir processos transparentes, participados e próximos das populações.”

Para a APREN, os resultados deste estudo confirmam que os portugueses reconhecem o papel central das energias renováveis na resposta aos desafios climáticos, económicos e geopolíticos da atualidade, existindo uma forte legitimidade social para continuar a acelerar a transição energética em Portugal.

 

 

 

 

 

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