A luta pela sobrevivência não se ganha só com força. Alguns animais vencem pela exuberância

Cientistas dizem que os animais mais extravagantes são os que tendem a ter maior sucesso na reprodução e na transmissão dos seus genes às gerações futuras. Contudo, sugerem que nem toda a exuberância servem para atrair parceiros.

Redação

Quando pensamos em animais extravagantes, os pavões machos (Pavo cristatus) poderão ser dos primeiros que nos vêm à cabeça. Com uma plumagem azul iridescente e uma cauda longa e hipnotizante, essas aves asiáticas são símbolos da evolução que premeia os mais exuberantes e não os mais fortes.

Os pavões machos com as danças e plumagens mais chamativas são os que conseguem atrair fêmeas e passar os seus genes às gerações seguintes. No entanto, uma cauda grande e pesada e penas altamente visíveis podem dizer às potenciais parceiras que ele é a melhor opção, mas isso tem um custo.

A atratividade é adquirida às custas da camuflagem e de outros atributos, como a força física, e exige mais gastos de energia, como a que é precisa para manter um animal como esse em voo com uma cauda a reduzir o seu aerodinamismo.

Este é apenas um de muitos outros exemplos de animais que trocam a força pela extravagância, que não inclui apenas a plumagem, mas também vocalizações intricadas e danças complexas. Agora, uma equipa de cientistas vem confirmar que, no que toca ao jogo da vida, ser mais vistoso compensa as desvantagens.

Numa revisão de quase 1.200 artigos, investigadores da Universidade da Nova Gales do Sul (Austrália), em colaboração com parceiros da Universidade de Alberta (Canadá) e da Universidade Federal de Viçosa (Brasil), declaram que quanto mais exuberante for um animal, mais bem-sucedido será no que toca à reprodução.

“Quanto mais vistosa for uma criatura, mais cedo se reproduzirá, mais bebés terá e mais eficaz será em manter o seu território”, dizem os cientistas em comunicado.

Assim, apesar de a energia que têm de gastar para formarem e manterem penas altamente coloridas e peculiares, para fazerem danças complicadas ou para criarem chamamentos sonoros e invulgares, estes “exibicionistas” tendem a ser os mais aptos.

A conclusão é apresentada num estudo publicado recentemente na revista ‘Ecology Letters’, no qual os autores revelam também que, embora possamos pensar que são apanágio dos machos, as fêmeas também exibem comportamentos extravagantes que anunciam as suas qualidades aos potenciais parceiros.

Pietro Pollo, primeiro autor do artigo, sugere que a excentricidade nas fêmeas tem sido desvalorizada na investigação científica devido a algum tipo de viés de quem estuda os sinais sexuais nos animais não-humanos. De tal forma, que muitas vezes associamos penas, danças e vocalizações chamativas mais a eles do que a elas.

A equipa diz ainda que nem todos os traços extravagantes são ferramentas sexuais, explicando que, por vezes, penas de cores berrantes servem mais para manter afastados possíveis rivais, evitando confrontos perigosos e energeticamente dispendiosos, do que para atrair parceiros.

Além disso, os investigadores acreditam que parte da extravagância no mundo animal está para lá as nossas capacidades humanas para detetá-la. Ou seja, podem existir sinais sexuais eletromagnéticos, odoríferos e até sonoros com frequências humanamente inaudíveis que não estão a ser tidas em conta.

Embora possam passar despercebidos, esses sinais podem ser tão poderosos na luta pela reprodução e pela sobrevivência das espécies quanto as penas mais vistosas, as danças mais ritmadas e as canções mais melodiosas, argumentam.

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