A pequena pedra que provoca a avalanche: Uma só formiga pode pôr toda a colónia em movimento

Um trio de investigadores da Universidade de Nova Iorque e do Instituto de Tecnologia de New Jersey (Estados Unidos da América) descobriu que uma só formiga é capaz de pôr em marcha uma grande parte da colónia. Isso tem as suas vantagens, mas também pode ser contraproducente.

Redação

Em grandes grupos de animais sociais, a rápida comunicação entre indivíduos pode ser fundamental para escapar a ameaças. Em várias sociedades animais, há “sentinelas” que se mantêm atentos a perigos enquanto os demais se alimentam ou descansam, e emitem alertas que põem todo o grupo em marcha ou em fuga.

No mundo das formigas, algo semelhante acontece. Um trio de investigadores da Universidade de Nova Iorque e do Instituto de Tecnologia de New Jersey (Estados Unidos da América) descobriu que uma só formiga é capaz de pôr em marcha uma grande parte da colónia. Isso tem as suas vantagens, mas também pode ser contraproducente.

Já tinha sido documentado que formigas das espécies Leptothorax acervorem, Temnothorax allardycei, T. rugutalus e T. rudis moviam-se, por vezes, como se fossem um só organismo. Grandes massas de formigas de repente punham-se em movimento sincronizado e, depois, a agitação desvanecia-se, a intervalos aparentemente aleatórios.

Estes picos de atividade coletiva não são algo raro, acontecendo também em cardumes de peixes e em exames de pirilampos, por exemplo. Para perceber o que desencadeia esses movimentos coletivos, os investigadores criaram um modelo matemático, divulgado na revista ‘PRX Life’.

A conclusão? Basta apenas uma “formiga pioneira” para pôr o grupo em movimento.

“Em muitos sistemas coletivos, essas reações em cadeia só ocorrem, normalmente, se já houver um número suficiente de indivíduos ativos”, explica Simon Garnier, coautor do artigo. Por isso, salienta, “o resultado mais surpreendente é que uma única formiga é capaz de desencadear toda uma cascata de atividade”.

Os investigadores criaram um modelo onde cada formiga individual é representada a mover-se de forma independente por uma colónia virtual. Ao introduzirem dados de investigações sobre colónias reais, perceberam que quando a densidade de formigas, a distância a que estão umas das outras e a velocidade a que se movem estão em determinados níveis, uma só formiga consegue pôr em marcha grande parte do grupo.

Percebeu-se também que a atividade na colónia move-se quase como uma “onda”, com períodos de maior agitação intercalados com períodos de repouso. A equipa considera que isso revela a capacidade que a colónia tem para “desativar” as reações em cascata, o que pode ser benéfico.

A capacidade para se porem em movimento rapidamente é fundamental para que a colónia possa reagir prontamente a mudanças no ambiente (como chuva que inunda os túneis subterrâneos) ou a ameaças (como a presença de predadores). Contudo, se a cadeia de reações for iniciada por uma formiga que interpretou mal os sinais ambientais, e não há razão para alarme, então a colónia gastou preciosa energia desnecessariamente.

“Felizmente, mostrámos em estudos anteriores que as formigas têm um mecanismo de regulação contra isso”, sublinha Garnier. “Quando o número de indivíduos ativo é demasiado elevado, tendem a inibir-se mutuamente e a colónia regressa a um estado mais inativo”, acrescenta.

Assim, a colónia pode manter-se alerta sem que, para isso, tenha de desperdiçar energia quando não é realmente preciso.

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