A resposta para combater a deficiência de ferro em crianças pode estar nas algas

A deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum no mundo – e, atualmente, muitas pessoas dependem de suplementos sintéticos de ferro, que trazem uma série de efeitos colaterais desagradáveis.

Redação

A deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum no mundo – e, atualmente, muitas pessoas dependem de suplementos sintéticos de ferro, que trazem uma série de efeitos colaterais desagradáveis.

Mina Ardakani, candidata a doutorado da Universidade Murdoch na Austrália Ocidental, está a procurar criar uma alternativa mais ecológica e segura, aproveitando o poder de um parceiro inesperado: as algas.

“Estou a explorar as microalgas como fonte natural de ferro heme, a forma de ferro que o corpo absorve melhor, atualmente encontrada apenas na carne, no peixe e nas aves”, diz Ardakani, citada em comunicado.

“A minha investigação centra-se em aumentar a produção natural de heme nas microalgas utilizando abordagens não transgénicas e no desenvolvimento de formas económicas de o produzir em maior escala”, acrescenta.

Entre os milhares de milhões de pessoas em todo o mundo afetadas pela deficiência de ferro, a maioria são mulheres e crianças. Problemas gastrointestinais, como náuseas, vómitos, diarreia, obstipação, cólicas estomacais e azia, muitas vezes tornam os suplementos tradicionais de ferro intoleráveis.

Os suplementos de heme à base de algas seriam suaves tanto para o corpo humano como para o ambiente.

Ardakani disse que a pesquisa teve uma motivação particularmente pessoal, como alguém que sofreu de grave deficiência de ferro.

“Isso esgotou a minha energia, obscureceu o meu foco e afetou a minha vida”, explicou, sublinhando que,” como mãe, tornei-me ainda mais consciente da importância do ferro para o crescimento e a saúde das crianças”.

“Costumo preocupar-me com as minhas duas filhas, especialmente com os estilos de vida e dietas atuais, que nem sempre fornecem nutrientes suficientes”, acrescenta.

Ao longo da sua investigação de doutoramento, a motivação pessoal de Ardakani “transformou-se em algo maior”, ao descobrir o quão prevalente era a deficiência de ferro em populações vulneráveis e o quão difícil era para algumas pessoas ter acesso a opções de tratamento.

“Já não se trata apenas de mim e das minhas filhas, quero que a minha investigação ajude todas as pessoas, especialmente as crianças, afetadas pela deficiência de ferro”, afirma.

“Espero que o meu trabalho leve ao desenvolvimento de suplementos de heme à base de microalgas. Além disso, alimentos do dia a dia, como massas, pão e carnes vegetais, poderiam ser enriquecidos com pó de microalgas comestíveis”, adianta.

“Eu imagino um futuro em que as microalgas ajudam as pessoas a manterem-se saudáveis, ao mesmo tempo que protegem o planeta”, conclui.

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