Substituir um automóvel a gasolina por um veículo elétrico antes do fim da sua vida útil pode reduzir significativamente as emissões de gases com efeito de estufa ao longo do seu ciclo de vida, conclui um estudo realizado por investigadores norte-americanos.
Publicada numa revista científica, a investigação conclui que substituir um SUV a gasolina com apenas dois anos por um veículo elétrico, em vez de o manter em circulação durante mais 14 anos, pode reduzir quase para metade a pegada de carbono do seu proprietário ao longo da vida útil do veículo.
Os investigadores analisaram diferentes cenários, considerando a eficiência dos veículos, a intensidade carbónica das redes elétricas e as emissões associadas ao fabrico dos veículos elétricos. Em todos os casos, a substituição antecipada por um elétrico revelou benefícios em termos de emissões.
Vender o automóvel usado pode anular os ganhos
Contudo, os autores alertam que esses benefícios podem desaparecer se o automóvel a gasolina for vendido no mercado de usados em vez de ser retirado definitivamente de circulação.
Segundo o estudo, a venda destes veículos pode aumentar a oferta no mercado de segunda mão, reduzir os preços e prolongar a utilização de automóveis movidos a combustíveis fósseis, anulando parte das reduções de emissões inicialmente obtidas.
Por isso, os investigadores defendem que as políticas públicas devem incentivar o abate de veículos a gasolina, acelerando a renovação do parque automóvel por modelos elétricos.
Resultados podem não ser aplicáveis a todos os países
Comentando o estudo, Ralph Sims, professor emérito de Energia Sustentável e Mitigação das Alterações Climáticas da Massey University, na Nova Zelândia, considera que as conclusões não podem ser automaticamente extrapoladas para todos os países. “O estudo mostra reduções significativas das emissões de gases com efeito de estufa dos veículos elétricos em comparação com os veículos equipados com motores de combustão interna, tendo também em conta as emissões ao longo de todo o ciclo de vida”, afirma.
No entanto, o investigador sublinha que, na Nova Zelândia, onde a produção de eletricidade assenta maioritariamente em fontes renováveis, os veículos elétricos apresentam uma pegada carbónica ainda mais reduzida do que nos Estados Unidos.
Por outro lado, recorda que o país possui uma das frotas automóveis mais envelhecidas do mundo, com muitos veículos a permanecerem em circulação durante mais de 20 anos. “Uma política, como a sugerida pelo estudo norte-americano, de subsidiar o abate antecipado de veículos com motor de combustão faz pouco sentido na Nova Zelândia”, considera.
Ainda assim, Ralph Sims destaca que a principal conclusão da investigação permanece válida. “A principal mensagem do estudo é que as emissões ao longo do ciclo de vida de um veículo elétrico são muito inferiores às de um veículo equivalente com motor de combustão interna, sobretudo tendo em conta os avanços nas tecnologias de reciclagem de baterias”, conclui.









