Na segunda metade do verão, especialmente entre o final de julho e agosto, as abelhas-do-mel (do género Apis) tem mais dificuldade em colher néctar. Por isso, plantar ou deixar crescer plantas mais adaptadas a essa altura do ano é uma ajuda valiosa para esses insetos.
A conclusão é de um artigo de investigadores da Universidade de Sussex (Reino Unido), publicado este mês na revista ‘Functional Ecology’, que estudaram espaços verdes nas cidades de Brighton e Edimburgo e perceberam que a escassez de néctar é maior no final de julho e em agosto.
Os cientistas sugerem que isso se deve ao facto de, nessa altura do ano, de maior calor, haver menos flores e um maior número de polinizadores a competirem por mais escassas fontes de alimento.
Isso contrasta com a primavera, em que a eficiência de busca de alimento das abelhas-do-mel atinge os níveis mais elevados, sobretudo porque há mais flores disponíveis.
“As nossas conclusões vêm somar-se a um conjunto cada vez maior de estudos que indicam que o final do verão é uma estação particularmente difícil para os polinizadores”, diz Nicholas Balfour, coautor do artigo.
“Isto é incrivelmente importante, pois é nesta altura do ano que a grande maioria das espécies de polinizadores está ativa e necessita de alimento para sustentar a sua prole”, acrescenta o investigador.
Assim, a equipa sugere que o público ajude as abelhas-do-mel durante o período mais desafiante do ano. Uma forma de fazê-lo é, como indica Ciaran Harris, o primeiro autor, “plantando flores que desabrocham no final do verão, ajustando a frequência com que os relvados são cortados ou sendo mais tolerantes com ‘ervas daninhas’ que florescem no verão”, como o cardo, a tasneira ou a centáurea-maior.
Os investigadores salientam que não remover essas ervas daninhas que florescem no final do verão é “especialmente importante” em anos de calor extremo e marcados por ondas de calor, como o de 2026, em que a disponibilidade de néctar é menor e em que as altas temperaturas estão a perturbar os calendários naturais da floração.
Esses fatores, dizem, podem agravar ainda mais pressões já existentes sobre os polinizadores, como a intensificação agrícola.
A equipa aponta que os resultados deste estudo não se aplicam apenas às abelhas-do-mel, mas também a todos os outros insetos que se alimentam de néctar.









