África subsariana perdeu um quarto da sua biodiversidade nos últimos 300 anos. Grandes mamíferos registam as maiores perdas

A estimativa é feita por um grupo de especialistas em fauna e flora africanas, num artigo publicado na revista ‘Nature’, no qual é revelado que os mamíferos de grande porte são o grupo que sofreu os maiores declínios.

Redação

Os países e ecossistemas da África subsariana já perderam cerca de 24% de toda a sua biodiversidade desde 1700, que se registava antes da era industrial na região.

A estimativa é feita por um grupo de especialistas em fauna e flora africanas, num artigo publicado na revista ‘Nature’, no qual é revelado que os mamíferos de grande porte (com mais de 20 quilogramas) são o grupo que sofreu os maiores declínios.

Animais como elefantes, leões e algumas espécies de antílopes terão perdido mais de 75% da sua abundância histórica. Atrás dos grandes herbívoros e carnívoros surgem os primatas, com a terceira maior redução de abundância registada abaixo do deserto do Sahara.

De acordo com o estudo, a região poderá ter sofrido uma redução de até metade nos números de primatas que alberga.

As espécies de florestas húmidas, incluindo grandes símios, macacos, gálagos e lóris, foram as mais afetadas, tendo, em média, perdido mais de metade da sua abundância histórica. Já os números das espécies de zonas de savana caíram em pelo menos um terço nos últimos três séculos.

De forma geral, os declínios estimados devem-se, sobretudo, à perda de habitat, à expansão da agricultura, à intensificação da criação de gado e da pastorícia e a níveis insustentáveis de exploração de espécies vegetais e animais.

Em termos regionais, os países da África central são os que apresentam os menores níveis de perdas da abundância de biodiversidade, em muito devido às suas florestas húmidas, enquanto na África ocidental o cenário é o inverso, com os maiores níveis de reduções populacionais, por causa da degradação significativa das florestas e savanas.

Os investigadores descobriram também que mais de 80% das populações selvagens de plantas e animais que restam ocorrem em áreas que não estão legalmente protegidas, onde coexistem com os humanos e as suas atividades, como a agricultura.

Para Hayley Clements, da Universidade de Stellenbosch (África do Sul) e primeira autora do artigo, “isto altera fundamentalmente onde e como pensamos sobre a conservação da biodiversidade em África”.

“As áreas protegidas continuam a ser vitais, especialmente para os grandes mamíferos africanos”, salienta a investigadora, “mas só por si são insuficientes para mitigar a perda de biodiversidade”. Para ela, a gestão sustentável das paisagens partilhadas é “fundamental” para preservar a biodiversidade e suportar as comunidades humanas que delas dependem.

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