Alasca: uma vila inteira vai ser deslocada por causa das alterações climáticas

Esta vila do Alasca tem vindo a perder metros e metros de costa, devido às alterações climáticas. Agora toda a comunidade vai ter de ser recolocada num outro espaço.

Green Savers

Na passada terça-feira, 169 eleitores da aldeia Shismaref, no Alasca, tiveram uma importante decisão a tomar: mudar toda a aldeia para uma nova localização ou ficar e lidar com as consequências directas das alterações climáticas e aquecimento global. Numa votação controversa, 89 cidadãos votaram na relocação da sua terra de sempre, enquanto 78 votaram pela permanência, segundo dados da CNN.

Acessível apenas por avião ou barco, Shishmaref é uma comunidade isolada no meio do Alasca que tem sofrido em primeira mão os efeitos devastadores do aumento da temperatura global. “Nos últimos 35 anos, já perdemos quase 900 metros de terra, por causa da erosão costeira. Para se ter uma noção, eu nasci em 1997 e desde então, Shishmaref perdeu cerca de 50 metros. Nos últimos 15 anos, tivemos que mover 13 casas de uma ponta da ilha para o outro extremo por causa desta perda de terra. Nas próximas duas décadas, a ilha vai desaparecer completamente”, alerta Esau Sinnok, morador da ilha, num texto enviado para o Departamento de Interior do EUA, em Dezembro passado.

Mas Shishmaref não é caso único no Alasca. Estima-se que mais 31 aldeias deste estado americano corram sérios riscos de serem dizimados graças às alterações climáticas, alerta um estudo do governo dos EUA. A situação é tão grave que muitas comunidades estão seriamente a considerar a relocação das suas cidades, num difícil e caro processo que pode ascender aos 250 milhões de dólares por aldeia.

E não são apenas as casas desta pequena aldeia que estão em risco, é todo um modo de vida que muito em breve pode desaparecer. “A falta de gelo tem afectado a nossa caça, pesca e tantas outras tradições. A cada ano que passa fica mais difícil recolher os alimentos que precisamos para aguentar o Inverno aqui.” Uma realidade que mostra que as alterações climáticas estão aí, são uma parte integrante da nossa vida, e que se não forem tomadas medidas drásticas em breve, comunidades e culturas inteiras podem desaparecer num piscar de olhos.

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