Alemanha, o maior emissor da UE, poderá falhar metas climáticas de 2030

Especialistas dizem que atual plano do governo alemão não permitirá alcançar a meta de redução de emissões estipulada na lei climático do país.

Redação

A Alemanha, a maior economia da União Europeia (UE) e também o Estado-membro que mais emite gases com efeito de estufa, está a caminho de falhar a meta que tinha definido, na lei climática do país, para cortar em 65% as emissões e chegar à neutralidade em 2045.

Em março passado, o governo alemão apresentou um plano de ação climática, com financiamento de oito mil milhões de euros, para expandir a energia eólica e aumentar as vendas de carros elétricos no país. O objetivo era, precisamente, cortar as emissões de gases com efeito de estufa, mas um grupo de especialistas vem agora dizer que a Alemanha não vai chegar aos objetivos que estipulou.

Para já, a redução nas emissões, face a níveis de 1990 (o ano de referência), está nos 48%.

De acordo com o Conselho de Especialistas em Alterações Climáticas, um painel consultivo independente que presta aconselhamento científico ao governo germânico em questões climáticas, o plano do executivo liderado pelo chanceler Friedrich Merz é insuficiente e a Alemanha poderá mesmo ultrapassam em até 100 milhões de toneladas de dióxido de carbono as projeções feitas para as emissões.

Esses números contrastam com as previsões feitas pela agência ambiental alemã, que apontava para um possível excedente de 4,5 milhões de toneladas até 2030.

Barbara Schlomann, presidente do Conselho de Especialistas em Alterações Climáticas, refere que os pressupostos que serviram de base para os cálculos do governo, especialmente no que diz respeito aos setores da energia e da construção, têm de ser atualizados, uma vez que se espera que as suas emissões sejam mais elevadas do que as projeções governamentais.

Os especialistas recomendam ao governo que reveja o seu plano de ação climática e as projeções de emissões para o final da década, ou poderá arriscar mais processos legais contra as suas políticas climáticas.

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