Alfarroba, cortiça e acácia vão ajudar a remover compostos farmacêuticos das ETAR

Alfarroba, cortiça e extractos de acácia vão ser testados no controlo de compostos farmacêuticos em Estações de Tratamento de Águas e Resíduos (ETAR) do Algarve e de Lisboa e Vale do Tejo, anunciou a empresa Águas do Algarve.

“São produtos naturais, existentes na nossa região, de cujo processamento resultam, naturalmente, resíduos, que poderão ser aproveitados, como pode ser o caso, para a remoção de eventuais compostos farmacêuticos que possam estar presentes nas águas residuais”, explicou à agência Lusa a porta-voz da empresa, Teresa Fernandes.

Segundo o Sul Informação, entre as vantagens da utilização destes produtos está a sua eficiência na remoção de compostos farmacêuticos, o seu baixo custo e a minimização dos consumos energéticos associados, além da utilização de resíduos como produto.

O projeto de investigação e desenvolvimento chama-se Life Impetus, está a ser coordenado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)  vai decorrer até 30 de Junho de 2019. O orçamento está avaliado em pouco mais de um €1 milhão, sendo €855.000 são provenientes de apoio comunitário.

Ainda segundo a Águas do Algarve, o projecto inclui estudos idênticos na ETAR de Faro-Noroeste e na ETAR de Beirolas.

“Em função dos resultados obtidos, poder-se-ão então efectuar ensaios à escala real nas próprias instalações”, observou a porta-voz da Águas do Algarve, acrescentando que os testes à escala piloto na ETAR algarvia estão previstos para 2017.

O estudo vai concentrar-se na monitorização de compostos de cerca de 20 fármacos. Ainda que a presença de compostos farmacêuticos nas águas residuais não seja preocupante, Teresa Fernandes sublinhou tratar-se, actualmente, de um tema “com grande interesse” em termos mundiais.

“Nesta fase, pretende-se efectuar a caracterização da situação, isto é, que compostos é que poderão estar presentes nas águas residuais, podendo passar para o meio receptor [massas de água], caso não sejam removidos nas ETAR, e em que concentrações”, acrescentou.

O projecto vai envolver a EPAL Águas de Lisboa e Vale do Tejo, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e a Universidade do Algarve. Caso seja bem sucedida, a tecnologia poderá ser aplicada noutros sistemas de tratamento europeus.

Recorde-se que a Águas do Algarve inaugurou recentemente duas novas infra-estruturas – a ETAR de Vila do Bispo e Sagres e a Central Fotovoltaica da Estação de Tratamento de Águas (ETA) de Tavira. Paralelamente, foi colocada a primeira pedra numa terceira: a construção da nova ETAR da Companheira, em Portimão.

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