Os locais de Património Natural Mundial cobrem menos de1% da superfície do planeta, mas albergam mais de 20% de todas as espécies do mundo, incluindo mais de 20 mil espécies ameaçadas de extinção.
Distinguidos pela UNESCO, a organização das Nações Unidas dedicada à Ciência, Educação e Cultura, pelo seu valor natural e pela sua relevância no que toca à conservação da Natureza, são já mais de 270 os locais naturais que fazem parte da lista do património mundial.
Contudo, uma nova avaliação aponta tendências preocupantes no estado desses locais. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), parceira do Comité do Património Mundial da UNESCO na área da Natureza, 43% dos 271 locais naturais são ameaçados pelas alterações climáticas mais do que por qualquer outro fator. Isso revela um aumento dos 33% de 2020.
As espécies exóticas invasoras surgem como a segunda maior ameaça, afetando 30% dos locais, e em terceiro aparecem as doenças, classificadas como uma ameaça elevada ou muito elevada para 9% dos locais, face aos 2% que se registavam em 2020.
O relatório “IUCN World Heritage Outlook 4” é o quarto de uma série de análises abrangentes feitas desde 2014 aos locais naturais listados como Património Mundial, e mostra ainda que, nos últimos 10 anos, a proporção de locais com uma perspetiva positiva em termos de conservação caiu para os 57% em 2025, face aos 62% de 2020.
“Proteger o Património Mundial não é apenas salvaguardar locais icónicos, é proteger os próprios alicerces da vida, da cultura e da identidade das pessoas em todo o mundo”, avisa, em comunicado, Grethel Aguilar, diretora-geral da UICN.
Recordando que se trata de “alguns dos locais mais notáveis do mundo”, que albergam “extraordinárias biodiversidade e geodiversidade” e são vitais para muitos comunidades humanas, a responsável lamenta que o novo relatório “mostra que as ameaças estão a crescer e esforços mais forte são precisos”.
Os especialistas avisam que as ameaças enfrentadas pelos locais de património natural mundial estão interligadas. Alterações nos padrões de temperatura e de precipitação criam terreno fértil para a proliferação de espécies exóticas invasoras, que, por sua vez, podem alterar as condições ambientais e abrir espaço para a emergência de patógenos.
“Prever e prevenir estes impactos em cascata é crucial, não apenas para os ecossistemas, mas também para a saúde humana”, alerta a UICN, que considera que é urgente investir no reforço da gestão dos locais naturais do Património Mundial.
Isto, porque, segundo a mais recente análise, apenas metade dos locais avaliados têm medidas eficazes de proteção e de gestão. Além disso, estima-se que 15% dos locais naturais estejam subfinanciados, pondo em risco a sua conservação.
Ainda assim, nem tudo são más notícias, uma vez que 13 locais naturais melhoraram o seu estado de conservação face à análise de 2020, sobretudo graças ao reforço de medidas de combate à caça furtiva, ao estabelecimento de parcerias locais e à estabilização de importantes populações de animais selvagens.
“Assegurar a resiliência dos locais naturais do Património Mundial exige compromisso de longo-prazo a todos os níveis, das comunidades locais aos parceiros internacionais, apoiados pelo financiamento adequado”, afirma Tim Badman, responsável da pasta de Património Mundial na UICN.









