Alterações climáticas têm “impacto desproporcional” na segurança alimentar dos países insulares mais pobres

Os investigadores dizem que, em 2023, mais 2,7 milhões de pessoas em 26 SIDS (a sigla que designa os pequenos Estados insulares em desenvolvimento) experienciaram insegurança alimentar moderada ou grave devido à maior frequência de ondas de calor e secas.

Redação

Os países em desenvolvimento formados só por ilhas ou arquipélagos estão a sofrer um “impacto desproporcional” das alterações climáticas na sua segurança alimentar. Isso apesar de mal contribuírem para as emissões globais.

O aviso é feito num artigo publicado recentemente na revista ‘The Lancet Global Health’, assinado por uma equipa internacional de investigadores, incluindo desses mesmos países abrangidos pelo estudo, como Jamaica, Fiji, Barbados e Trinidad e Tobago.

Os autores dizem que, em 2023, mais 2,7 milhões de pessoas em 26 SIDS (a sigla que designa os pequenos Estados insulares em desenvolvimento) experienciaram insegurança alimentar moderada ou grave devido à maior frequência de ondas de calor e secas.

Para Shouro Dasgupta, investigador do Centro Euro-Mediterrânico para as Alterações Climáticas e coautor do trabalho, o estudo torna algo “muito claro”: “as alterações climáticas estão a afetar a saúde, a segurança alimentar, o trabalho e as economias dos SIDS mais do que noutras partes do mundo”.

“Além disso, estes fardos recaem sobre nações responsáveis por menos de 1% das emissões que os causam”, salienta.

A estimava teve por base dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que foram combinados com anomalias relativas aos dias de ondas de valor e aos meses de seca, e comparados com o período de referência de 1981 a 2010.

“O uso desta metodologia empírica permitiu-nos avaliar se a relação entre alterações climáticas e insegurança alimentar tem evoluído ao longo do tempo”, explica Dasgupta. E a conclusão é que a segunda tem piorado por causa do agravamento da primeira.

Isso significa que, em 2023, 4,9% da população combinada de cerca de 70 milhões dos 26 SIDS em estudo sofreu insegurança alimentar por causa de secas e ondas de calor mais frequentes.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.