Mudanças na circulação das águas profundas em torno da Antártida podem ocorrer antes de alterações semelhantes no Atlântico, segundo um novo estudo baseado em mais de mil anos de dados recolhidos de corais de profundidade.
A investigação indica que a variabilidade na circulação profunda do Oceano Austral antecede, historicamente, alterações na Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), um sistema crucial de correntes oceânicas que ajuda a regular o clima global.
Os cientistas concluíram ainda que a circulação profunda — conhecida como overturning — está atualmente no nível mais fraco dos últimos mil anos, tanto no hemisfério sul como no hemisfério norte. Esta tendência levanta preocupações quanto aos seus potenciais impactos no equilíbrio climático do planeta.
De acordo com os dados analisados, mudanças registadas no Atlântico Norte desde meados do século XX terão agravado o enfraquecimento desta circulação no Atlântico, que já se encontrava fragilizada.
A AMOC desempenha um papel fundamental na redistribuição de calor à escala global, influenciando padrões climáticos, regimes de precipitação e temperaturas em várias regiões do mundo. O seu enfraquecimento poderá ter consequências significativas, incluindo maior instabilidade climática.
Os resultados sugerem que o Oceano Austral poderá funcionar como um indicador precoce de mudanças mais amplas na circulação oceânica global, oferecendo pistas importantes para compreender a evolução do clima da Terra.









