Alternativas vegetais contêm o dobro dos aditivos dos produtos de origem animal, conclui estudo

A investigação, publicada na revista científica Food Additives & Contaminants: Part A, comparou 71 pares de produtos semelhantes, incluindo bebidas vegetais e leite, brownies vegan e tradicionais, carne vegetal e carne convencional, bem como lasanhas, maioneses, pestos, iogurtes, saladas de couve e bolos.

Redação

As alternativas alimentares de origem vegetal disponíveis nos supermercados contêm, em média, o dobro dos aditivos alimentares presentes nos produtos equivalentes de origem animal, segundo um novo estudo realizado no Reino Unido.

A investigação, publicada na revista científica Food Additives & Contaminants: Part A, comparou 71 pares de produtos semelhantes, incluindo bebidas vegetais e leite, brownies vegan e tradicionais, carne vegetal e carne convencional, bem como lasanhas, maioneses, pestos, iogurtes, saladas de couve e bolos.

Os investigadores procuraram emparelhar os produtos de forma tão rigorosa quanto possível, tendo em conta fatores como ingredientes, embalagem e dimensão.

Os resultados revelaram que os produtos de base vegetal continham, no total, 199 aditivos alimentares, face a 100 encontrados nos produtos de origem animal. Além disso, as alternativas vegetais apresentavam 1.566 ingredientes, comparativamente aos 1.110 identificados nos equivalentes animais.

O estudo também contabilizou 39 aditivos identificados por números E nos produtos vegetais, contra 31 nos produtos de origem animal.

As maiores diferenças foram observadas nas categorias de lacticínios, carne e peixe e respetivas alternativas vegetais.

Segundo o investigador principal, Joseph Whittaker, os resultados devem ser interpretados com cautela.

“Encontrámos aproximadamente o dobro dos aditivos alimentares nos produtos vegetais em comparação com os produtos de origem animal. No entanto, isso não significa necessariamente que representem um maior risco para a saúde”, afirma.

O investigador sublinha que o estudo analisou apenas uma gama de produtos de um único supermercado e não avaliou as quantidades efetivamente utilizadas de cada aditivo nem os padrões de consumo dos consumidores.

Além disso, todos os aditivos identificados cumprem os requisitos de segurança alimentar em vigor no Reino Unido.

Os autores destacam que o interesse por dietas de base vegetal continua a crescer em vários países, ao mesmo tempo que aumenta a preocupação dos consumidores com os chamados alimentos ultraprocessados e com a presença de aditivos nos alimentos.

Ainda assim, o estudo não avaliou diretamente o grau de processamento dos produtos analisados nem os seus efeitos na saúde.

Para a equipa de investigação, trabalhos futuros deverão analisar outras marcas e mercados internacionais para confirmar se esta tendência se mantém.

Whittaker considera também que os consumidores que seguem dietas vegetais poderão beneficiar de uma maior aposta em alimentos naturalmente vegetais e pouco processados, como legumes, frutas, leguminosas e cereais integrais, em vez de recorrerem exclusivamente a produtos concebidos para imitar alimentos de origem animal.

Os investigadores concluem que os resultados podem ajudar os consumidores a tomar decisões mais informadas, sobretudo aqueles que procuram reduzir o consumo de aditivos alimentares ou de produtos ultraprocessados, embora não permitam concluir que os produtos vegetais sejam menos saudáveis do que os seus equivalentes de origem animal.

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