Os anfíbios vão surgir pela primeira vez na filatelia portuguesa, 57 anos depois de os CTT terem iniciado a representação de espécies selvagens nos seus selos. A emissão “Anfíbios de Portugal” entra em circulação a 18 de setembro e reúne cinco espécies, numa iniciativa que resulta de vários anos de investigação sobre a representação da biodiversidade portuguesa na filatelia, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, entre 1968 e 2025, os CTT emitiram 666 selos e 23 etiquetas autoadesivas dedicados ao património natural português, distribuídos por 145 emissões e representando mais de 360 espécies. Nenhum dos selos analisados apresentava, até agora, um anfíbio.
A investigação foi realizada pelo biólogo e ilustrador científico Fernando J. S. Correia, que analisou o acervo filatélico e o cruzou com instrumentos de conservação da natureza, como a Diretiva Habitats, a Diretiva Aves e a CITES, além de relatórios dos CTT e da evolução das políticas nacionais e internacionais de conservação.
Os resultados apontam para uma representação desigual da biodiversidade. Segundo a análise, a filatelia portuguesa privilegiou determinadas espécies, enquanto outras tiveram pouca ou nenhuma presença. A cobertura das espécies abrangidas pela Diretiva Aves é estimada em 51,5%, enquanto a relativa à Diretiva Habitats é de 22,8%. As espécies invasoras representam 5,6% do conjunto analisado.
Os anfíbios constituem o caso mais extremo dessa ausência. O grupo é considerado o mais ameaçado entre os vertebrados, com 40,7% das espécies globalmente ameaçadas de extinção. Portugal alberga 21 espécies, das quais 19 são autóctones.
A nova emissão inclui a rã-verde (Pelophylax perezi), o sapo-comum (Bufo spinosus), a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra), o tritão-marmoreado (Triturus marmoratus) e a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), um endemismo ibérico classificado como Vulnerável.
A emissão inclui quatro selos, com uma tiragem de 40 mil exemplares cada, e um bloco com um selo de 3,50 euros, com uma tiragem de 18 mil exemplares. A emissão é acompanhada por uma pagela com textos e ilustrações de Fernando Correia, um sobrescrito de primeiro dia de circulação e um carimbo comemorativo.
Do selo à ciência cidadã
A nova emissão inclui ainda uma componente de ciência cidadã. Cada selo da pagela remete, através de um código QR e de um identificador persistente, para a BioDiversity4All, o nó português do iNaturalist, cujos registos contribuem para a Global Biodiversity Information Facility (GBIF).
A ligação pretende facilitar o registo de observações das espécies representadas. Assim, quem encontrar uma rã, um sapo, uma salamandra ou um tritão poderá fotografá-lo e submeter a observação à plataforma, contribuindo para o conhecimento da biodiversidade portuguesa.
A investigação está também na origem do livro “Impressões da Natureza – O teatro da biodiversidade: 1968-2025”, com 200 páginas, editado pelos CTT e com uma tiragem numerada de 3500 exemplares. A obra reúne a análise do percurso da biodiversidade na filatelia portuguesa e inclui a emissão completa dedicada aos anfíbios.
O lançamento da emissão e do livro está marcado para 18 de setembro, às 18h00, na Fundação de Serralves, no Porto. A exposição associada ao trabalho será apresentada novamente na Galeria da Biodiversidade, no Porto, a partir de 26 de outubro, onde ficará patente até 31 de dezembro.








