Muitas espécies de baleias foram empurradas quase até à extinção antes da implementação da proibição internacional da caça comercial em 1986.
Uma nova investigação vem revelar que, quatro décadas depois, as duas maiores baleias do mundo estão a recuperar na região sudeste do Oceano Atlântico, com o aumento do número de avistamentos, que continuam a ser raros, mas mais frequentes do que nas últimas décadas.
Num artigo publicado na revista ‘African Journal of Marine Science’, investigadores da África do Sul e da Namíbia dizem que o número de avistamentos de baleias-azuis (Balaenoptera musculus) e baleias-comuns (Balaenoptera physalus) aumentou “significativamente” na costa da Namíbia e na costa ocidental da África do Sul.
Ao analisarem dados de avistamentos de 1964 a 2025, perceberam que 95% das observações aconteceram depois de 2012.
“Os nossos resultados fornecem importantes evidências de que, aos poucos, estes gigantes do oceano estão a recuperar do impacto devastador da baleação comercial do século XX, que empurrou-os para o limiar da extinção”, diz Bridget James, primeira autora do estudo.
“Os avistamentos continuam a ser raros, mas estão a tornar-se mais frequentes do que em décadas passadas, e, com uma proteção sustentada, há motivos para acreditar que esta recuperação pode continuar”, salienta.
O estudo foca-se em duas subespécies dessas grandes baleias: a baleia-azul da Antártida (Balaenoptera musculus intermedia), criticamente ameaçada de extinção, e a baleia-comum da Antártida (Balaenoptera physalus quoyi), classificada como vulnerável à extinção.
Entre 1913 e 1978, ambas sofreram grandes declínios populacionais devido à intensa caça de que foram alvo. As baleias-azuis da Antártida têm uma população atual que é apenas 3% da população que tinham antes da época da baleação, com um crescimento lento de entre 5% e 8% ao ano nos dias de hoje.
Por seu lado, as baleias-comuns da Antártida já conseguiram recuperar mais de 30% da sua população pré-baleação e crescem a uma taxa anual de 4%-5%.
Os cientistas apontam para dificuldades em estudar estas baleias porque percorrem grandes distâncias e passam grande parte das suas vidas nas águas remotas da Antártida. Por isso, dados sobre as suas rotas migratórias e possíveis locais de reprodução, incluindo no Atlântico sudeste, continuam a ser escassos.
“Dados históricos da caça à baleia sugerem que o Atlântico sudeste terá sido, em tempos, uma importante área de berçário tanto para as baleias-azuis como para as baleias-comuns”, explica James. “Mas até agora dispúnhamos de muito pouca informação consolidada sobre a sua presença mais recente nesta região”, acrescenta, uma lacuna que este estudo pretende preencher.
Apesar destes sinais de melhoria, os investigadores avisam que as baleias-azuis e as baleias-comuns continuam a enfrentar sérias ameaças à sua sobrevivência, incluindo colisões com navios, mortes em redes de pesca, poluição sonora submarina, poluição química e alterações climáticas.
“Sinais do regresso ao Atlântico sudeste não significam uma recuperação total das baleias-azuis e baleias-comuns, e estas populações têm ainda um longo caminho pela frente para alcançarem os seus números históricos”, salienta a primeira autora do trabalho.
Por isso, a equipa considera que a recuperação observada aponta para a grande resiliência desses dois grandes seres dos oceanos, uma resiliência que não garante o futuro das baleias e que precisa de continuar a ser protegida e fortalecida.









