Apenas 3% do financiamento climático internacional apoia uma transição justa das comunidades



Somente 2,8% do financiamento climático internacional dedicado ao corte de emissões de gases com efeito de estufa é canalizado para apoiar as comunidades e trabalhadores a fazerem uma transição justa para lá das indústrias e atividades poluentes.

O alerta é feito pela organização não-governamental ActionAid, num relatório publicado esta segunda-feira, uma semana antes do arranque da 30.ª cimeira global das Nações Unidas, a COP30, na cidade brasileira de Belém.

A análise tem por base informação pública sobre todos os projetos de mitigação de emissões, num total de 644, financiados pelos dois maiores fundos climáticos internacionais: o Green Climate Fund (GCF)e o Climate Investment Funds (CIF). O relatório examinou os projetos numa série de indicadores, como a efetiva participação de trabalhadores, mulheres e comunidades afetadas, medidas concretas para a transição para lá dos combustíveis fósseis e de indústrias poluentes, ações para requalificação profissional e para combater a desigualdade.

A conclusão? “Menos de um em cada 50 projetos (1,9%) apoiados pelo GCF e pelo CIF ouvem e apoiam adequadamente os trabalhadores, mulheres e comunidades numa transição justa”, diz a ActionAid.

Quase todos os projetos que refletem uma transição justa são financiados pelo GCF e apenas 5,6% “preenchem adequadamente os critérios de uma transição justa”, apontam os relatores. E acrescentam que somente 0,4% dos projetos financiados pelo CIF apoiam uma transição justa.

Contas feitas, os projetos realmente alinhados com a transição justa receberam, no total, cerca de 550 milhões de euros em mais de uma década, um valor que, segundo a organização, é inferior ao que o multimilionário Jeff Bezos desembolsou para comprar o seu “super-iate”.

“Isto é absurdo”, declara a ActionAid no relatório.

“A falta de financiamento climático suficiente, o aumento do ceticismo climático e o greenwashing corporativo estão a impedir as ações urgentes e transformadoras necessárias para evitar uma rutura climática descontrolada. Há uma necessidade urgente em reformular as políticas climáticas, o financiamento climático e a elaboração de propostas climáticas para tornar a transição justa uma abordagem central da ação climática”, sentencia a entidade.






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