Com a temperatura média do planeta a aumentar continuamente e com fenómenos como as ondas de calor a tornarem-se mais frequentes, duradouros e intensos, os aparelhos de ar condicionado (AC) são cada vez mais considerados como centrais para mitigar os impactos do calor extremo na saúde humana.
Um estudo publicado recentemente na revista ‘Nature Health’ estima que o uso de AC nas casas evitou cerca de 58 mil mortes prematuras relacionadas com o calor entre 2010 e 2020 nos Estados Unidos da América. De acordo com as contas dos investigadores, se os norte-americanos não usassem AC, o número de mortes anuais devido às temperaturas extremas seria mais do dobro do que se regista atualmente.
Contudo, a equipa, liderada pela Escola de Saúde Pública de Yale, diz também que, a partir de um certo ponto, usar mais AC não salva mais vidas, e os custos acabam por se sobrepor aos benefícios.
“Toda a gente concorda que o ar condicionado funciona”, diz Kai Chen, principal coautor do artigo. “Mas saber que funciona para uma pessoa não é o mesmo que saber quantas mortes são evitadas em toda uma população”, acrescenta.
Explicam os investigadores que, quando o ar condicionado é já uma solução bem difundida, continuar a expandi-la não traz ganhos significativos no que toca à redução de mortes relacionadas com o calor. Mas traz, isso sim, um aumento do uso de energia, uma maior pressão sobre a rede elétrica e mais emissões de gases com efeito de estufa, que, por sua vez, agravam os fenómenos de calor extremo.
Por isso, a equipa argumenta que o ar condicionado deve servir sobretudo as pessoas mais vulneráveis aos impactos do calor e que políticas para a expansão do uso dessa solução de arrefecimento ajudam a salvar mais vidas em comunidades onde tem ainda pouca expressão ou cujo poder económico não permite a aquisição desse tipo de equipamentos.
“Enquanto alguns optam por ligar o seu AC, outros tomam a difícil de decisão de suportar o calor para poupar dinheiro para a alimentação”, diz Narasimha Rao, coautor do estudo.









