Artemis II: missão à Lua vai medir risco invisível da radiação no espaço profundo

Mais do que testar a nave Orion e o sistema de lançamento, a missão tem como objetivo central compreender como a radiação afeta o corpo humano fora da proteção do campo magnético terrestre — um fator crítico para futuras viagens à Lua e a Marte.

Redação

A missão Artemis II, lançada pela NASA a 1 de abril de 2026, poderá ficar marcada não tanto pelas imagens captadas, mas pelos dados recolhidos sobre um dos maiores perigos das viagens espaciais: a radiação.

A bordo seguem quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — numa missão de cerca de 10 dias que marca o regresso de humanos ao espaço profundo, para além da órbita baixa da Terra, algo que não acontecia desde o programa Apollo.

Mais do que testar a nave Orion e o sistema de lançamento, a missão tem como objetivo central compreender como a radiação afeta o corpo humano fora da proteção do campo magnético terrestre — um fator crítico para futuras viagens à Lua e a Marte.

Um risco invisível e complexo

No espaço profundo, os astronautas enfrentam três principais fontes de radiação: partículas presas nos cinturões de Van Allen, eventos solares e raios cósmicos galácticos. Cada uma apresenta desafios distintos — desde exposições intensas mas breves até uma radiação constante e difícil de bloquear.

Os cientistas, citados em comunicado, sublinham que não existe um único valor que resuma o risco. Para além da quantidade de radiação absorvida, contam fatores como o tipo de partículas, a sua energia e até a direção de incidência. Alguns tipos de radiação, como os iões pesados, podem causar danos biológicos mais significativos.

Medições dentro da nave

A missão está equipada com vários instrumentos para monitorizar a radiação em tempo real, incluindo dosímetros usados pelos astronautas e sensores instalados na cápsula. Estes equipamentos permitem mapear com precisão os níveis de exposição dentro da nave e perceber como variam consoante a trajetória ou a orientação do veículo.

Experiências anteriores, como a missão não tripulada Artemis I, já tinham mostrado que pequenas alterações na orientação da nave podem reduzir significativamente a exposição à radiação.

Impacto no corpo humano

Para além da medição física, a missão inclui experiências biológicas. Entre elas está o estudo AVATAR, que utiliza tecidos derivados da medula óssea dos próprios astronautas para avaliar os efeitos da radiação ao nível celular.

Serão também recolhidas amostras de saliva e sangue, bem como dados sobre sono, stress, desempenho cognitivo e outras respostas fisiológicas. O objetivo é perceber se diferentes indivíduos reagem de forma distinta ao mesmo ambiente de radiação.

Preparar o futuro da exploração espacial

Os dados recolhidos pela Artemis II deverão ajudar a definir estratégias de proteção para futuras missões tripuladas, incluindo a criação de zonas mais seguras dentro das naves ou a adaptação de operações em caso de tempestades solares.

Num contexto em que a exploração humana do espaço se prepara para dar novos passos, compreender este “perigo invisível” será essencial para garantir a segurança dos astronautas em viagens cada vez mais longas e distantes da Terra.

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