Os artrópodes são um filo de invertebrados revestidos por exosqueletos e com corpos compostos por partes articuladas, e incluem os insetos, os aracnídeos e os crustáceos. Atuando como polinizadores ou decompositores de matéria orgânica, e representando cerca de 75% de todos os animais que existem na Terra, dificilmente será possível sobrestimar a sua importância ecológica.
Num artigo publicado esta quinta-feira na revista ‘Nature Ecology & Evolution’, investigadores da China, Suíça e Alemanha destacam que o seu contributo para os ecossistemas é inegável, especialmente no que toca às florestas.
Os cientistas explicam que os artrópodes são fundamentais para impulsionar a diversidade de espécies de árvores, uma vez que se alimentam de outros organismos herbívoros, como as lagartas de várias espécies, que, por sua vez, se alimentam das plantas e que, sem o controlo da predação, podem fazer cair o nível de diversidade de espécies vegetais florestais.

Foto: Andreas Schuldt; Fonte: Artigo
Albergando perto de 80% de todas as espécies terrestres de animais e de plantas, as florestas, e a sua proteção, são peças fundamentais para a conservação da biodiversidade. No entanto, a desflorestação para extração de madeira, a conversão em explorações agrícolas e em culturas monoespecíficas e a expansão urbana estão a colocar uma pressão cada vez maior sobre das florestas, pressão essa que vem sendo intensificada pelos efeitos das alterações climáticas.
Com todos esses fatores negativos, vários grupos de animais têm vindo a registar sérias perdas populacionais e mesmo extinções, e os artrópodes não são exceção. Os autores deste artigo lamentam que a maioria dos estudos sobre o funcionamento dos ecossistemas tendem a focar-se, quase exclusivamente, na diversidade de plantas, deixando de lado partes importantes das teias alimentares que se desenvolveram nesses habitats e que são essenciais para o seu bom funcionamento.
Por isso, dizem que é preciso saber mais sobre as dinâmicas predador-presa, sobretudo entre os herbívoros e os seus predadores. Neste caso em particular, entre os insetos que comem plantas e os seus predadores artrópodes.

Foto: CHEN Huayan; Fonte: Artigo
Analisando as florestas luxuriantes do sudeste da China, os investigadores concluíram que quanto maior for o número de espécies de árvores, maior será também o número de espécies e a abundância de artrópodes herbívoros, predadores e parasitoides, apontando que conservar a diversidade de plantas é importante para conservar a diversidade de artrópodes.
Xiaojuan Liu, da Academia Chinesa de Ciências e uma das principais autoras do artigo, avança que aumentar a diversidade de espécies de flora pode aumentar, indiretamente, a produtividade das florestas ao promover a diversidade de artrópodes e as interações predador-presa, reforçando equilíbrios ecológicos que mantém controlados os números populacionais ao longo da teia alimentar.
Embora vários estudos tenham já alertado para o declínio da diversidade de artrópodes, poucos são os que se debruçam sobre os impactos dessas perdas nos ecossistemas, argumentam os investigadores.
“Este trabalho preenche essa lacuna ao demonstrar o importante papel que a diversidade de artrópodes tem [nas relações entre o funcionamento dos ecossistemas e a biodiversidade]”, salienta Bernhard Schmid, da Universidade de Zurique e que também assina o artigo.









