Um estudo conduzido por cientistas norte-americanos concluiu que o índice de massa corporal (IMC) é o principal fator de risco para o desenvolvimento de problemas oculares em astronautas durante missões espaciais.
A investigação baseou-se em dados do programa Lifetime Surveillance of Astronaut Health, analisando medições da visão e da saúde ocular antes e depois de voos espaciais.
Em causa está a chamada síndrome neuro-ocular associada ao voo espacial (SANS, na sigla em inglês), uma condição que pode provocar alterações na visão — tanto miopia como hipermetropia —, deformação da parte posterior do olho, aparecimento de pregas na retina e inchaço do disco ótico, a zona onde o nervo ótico se liga ao olho.
Segundo os investigadores, astronautas com maior massa corporal apresentam maior probabilidade de desenvolver esta síndrome. A explicação poderá estar nos efeitos da microgravidade sobre o corpo humano, que alteram a distribuição de fluidos e a pressão dentro do olho.
Em ambiente de ausência de gravidade, os fluidos corporais tendem a deslocar-se para a parte superior do corpo, incluindo a cabeça, o que pode aumentar a pressão intracraniana e afetar a estrutura ocular. Estes efeitos parecem ser mais pronunciados em indivíduos com maior peso.
Os resultados ajudam a identificar quais os astronautas mais vulneráveis e poderão contribuir para o desenvolvimento de medidas preventivas em futuras missões espaciais de longa duração.









