A atividade humana poderá estar a contribuir para a rápida expansão dos chacais-dourados pela Europa, ao reduzir a influência dos lobos-cinzentos – os seus principais predadores naturais. A conclusão é de um estudo internacional publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.
A investigação, conduzida por uma equipa de investigadores internacionais e australianos, analisou dados recolhidos entre 2001 e 2017 em 8.991 locais distribuídos por 13 países europeus, com base em levantamentos acústicos dos uivos dos chacais.
Os resultados mostram que fatores como períodos mais curtos de cobertura de neve, uma cobertura florestal intermédia e a proximidade de massas de água favorecem a presença desta espécie. No entanto, os investigadores concluem que o maior obstáculo à expansão dos chacais continua a ser a presença de lobos.
Segundo o estudo, os chacais têm maior probabilidade de surgir em áreas onde os lobos estão ausentes e menor presença nos territórios centrais de alcateias estáveis. Ainda assim, a proximidade de povoações humanas parece reduzir esse efeito de controlo exercido pelos predadores.
Os investigadores descrevem este fenómeno como um “escudo humano”, no qual os chacais procuram áreas próximas de populações humanas porque os lobos tendem a evitar esses locais. Curiosamente, em regiões sem lobos, os chacais demonstram evitar zonas urbanizadas, mas aproximam-se das áreas habitadas quando os predadores estão presentes.
Atualmente, os chacais-dourados encontram-se sobretudo no sudeste e centro da Europa, embora já tenham sido identificados exemplares em Espanha e até em regiões próximas do Ártico. O estudo estima, contudo, que cerca de 75% do território europeu reúne condições ambientais adequadas para a espécie — uma área quase seis vezes superior à atualmente ocupada.
Os autores alertam ainda que, apesar da recuperação gradual das populações de lobos em algumas regiões europeias poder limitar a expansão dos chacais, fatores como as alterações climáticas, as mudanças no uso do solo e a contínua influência humana deverão continuar a favorecer a dispersão da espécie pelo continente.









