Atual episódio do fenómeno El Niño poderá ser “o mais intenso” dos últimos 40 anos

“[O atual episódio] pode vir a ser mais intenso do que tudo o que observámos desde o início dos nossos registos, ao ponto de ultrapassar literalmente os limites dos gráficos que utilizamos há quatro décadas”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, no decorrer de uma conferência de imprensa depois da apresentação do boletim trimestral sobre a evolução do El Niño.

Green Savers com Lusa

O atual episódio do El Niño poderá ser “o mais intenso” dos últimos quarenta anos, quando começaram a ser feitas medições deste fenómeno climático, anunciou hoje a Organização Meteorológica Mundial da ONU (OMM).

“[O atual episódio] pode vir a ser mais intenso do que tudo o que observámos desde o início dos nossos registos, ao ponto de ultrapassar literalmente os limites dos gráficos que utilizamos há quatro décadas”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, no decorrer de uma conferência de imprensa depois da apresentação do boletim trimestral sobre a evolução do El Niño.

A OMM alertou hoje para a intensificação do fenómeno El Niño nos próximos meses, apontando que está “firmemente estabelecido” e deverá intensificar-se nos próximos meses, havendo uma probabilidade “próxima dos 100%” de durar até fevereiro de 2027.

Na conferência de imprensa, Celeste Saulo apelou à calma e à adoção de medidas de prevenção face ao fenómeno do El Niño que se aproxima, cujos primeiros sinais já se fazem sentir e que será muito intenso nos próximos meses.

“Já disse isto antes e vou repeti-lo mais uma vez: o El Niño não tem de ser sinónimo de desastre. Temos as previsões e a capacidade de antecipação necessárias para salvar vidas e proteger os meios de subsistência”, defendeu, afirmou a secretária-geral da OMM.

Insistiu que, para além de confirmar que o El Niño se intensificará até se tornar um fenómeno de intensidade muito forte, o que pretendia transmitir hoje é um “apelo à ação”.

“A ciência é clara. Temos os conhecimentos e as ferramentas necessárias para evitar que os perigos relacionados com o El Niño se transformem numa crise”, declarou.

Nesse sentido, apresentou aos jornalistas exemplos como os estados de emergência declarados no Panamá e no Peru, o aconselhamento que os serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais estão a prestar a vários governos na Ásia ou o plano nacional de resposta às ondas de calor que Singapura está a implementar.

O responsável pela Previsão Climática da OMM, Wilfran Moufouma-Okia, referiu na mesma conferência de imprensa que as previsões indicam uma probabilidade próxima dos 100% de que o fenómeno El Niño persista durante setembro e novembro e que se mantenha ativo até fevereiro de 2027.

“Isto não significa que exista uma probabilidade de 100% de que ocorra uma inundação, uma seca ou mesmo uma onda de calor num determinado país”, afirmou.

De acordo com o boletim da OMM, a intensidade que o fenómeno El Niño irá atingir terá origem, em parte, nas temperaturas excecionalmente elevadas no Pacífico tropical – que, no lado da América Latina, banha as costas do Equador, da Colômbia e do Peru, entre outros países.

De uma perspetiva social, o impacto mais grave será a diminuição da produção agrícola, o que fará com que as comunidades percam o acesso aos alimentos e os preços aumentem, colocando milhões de pessoas em todo o mundo numa situação de insegurança alimentar.

Por isso, Celeste Saulo defendeu que é chegado o momento de os governos tomarem decisões em matéria de produção agrícola, escolhendo — por exemplo — que tipos de sementes é adequado plantar se se prevê mais chuva ou, pelo contrário, se se prevê escassez de água ou temperaturas mais elevadas.

Um dos valores que mais está a causar preocupação entre os cientistas é o aumento excessivo das temperaturas do mar, não só na superfície, mas também por baixo dela.

Na superfície, os valores normais foram amplamente ultrapassados, com um aumento de até 2,6 graus Celsius adicionais e valores que não pararam de subir nas últimas semanas.

Mas, sob a superfície do oceano, “o calor acumulado atinge uma magnitude ainda mais excecional”, uma vez que, em algumas zonas, as temperaturas ultrapassaram a média em mais de 8 graus.

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