Austrália desenvolve infraestrutura de IA para robôs aprenderem em tempo real

O sistema, chamado Vetra, está instalado no Queensland Centre for Advanced Technologies, em Pullenvale, e aposta num modelo de computação conhecido como “Edge AI”, que processa informação junto dos sensores e robôs, em vez de depender exclusivamente de centros de dados remotos.

Redação

A CSIRO, agência nacional de ciência da Austrália, apresenta uma nova infraestrutura de inteligência artificial destinada a permitir que robôs e sistemas automatizados aprendam e reajam em tempo real diretamente no local onde os dados são produzidos.

O sistema, chamado Vetra, está instalado no Queensland Centre for Advanced Technologies, em Pullenvale, e aposta num modelo de computação conhecido como “Edge AI”, que processa informação junto dos sensores e robôs, em vez de depender exclusivamente de centros de dados remotos.

Segundo os investigadores, esta abordagem permite respostas mais rápidas, maior segurança e aprendizagem contínua em ambientes físicos complexos, algo considerado essencial para aplicações críticas e operações em tempo real.

Liming Zhu explica que a inteligência artificial está a expandir-se rapidamente para áreas físicas, incluindo robótica, sensores e infraestruturas críticas.

“O Vetra aproxima a computação de alto desempenho do local onde os dados são gerados, permitindo que os sistemas reajam, aprendam e operem em tempo real”, afirma, citado em comunicado.

A infraestrutura funciona em articulação com os supercomputadores da CSIRO em Camberra através de um sistema “edge-core-cloud”, no qual o processamento imediato acontece localmente antes de os dados serem enviados para análise mais aprofundada.

O projeto foi desenvolvido junto do maior centro de investigação em robótica da Austrália, permitindo que os sistemas de IA aprendam diretamente a partir de testes reais e não apenas através de simulações.

Segundo Peyman Moghadam, os robôs precisam de aprender continuamente a partir do mundo físico.

“O Vetra ajuda a transformar dados reais da robótica em sistemas de inteligência artificial mais seguros e adaptáveis”, refere.

A infraestrutura foi igualmente concebida para reduzir o impacto ambiental associado à computação intensiva. O sistema utiliza refrigeração baseada em dióxido de carbono e circuitos fechados de arrefecimento líquido, diminuindo o consumo de água e as emissões.

De acordo com a CSIRO, o Vetra poderá reduzir cerca de 225 toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano, o equivalente à retirada de aproximadamente 50 automóveis das estradas de Queensland.

O diretor tecnológico da organização, Angus Macoustra, destaca que o projeto foi concebido desde o início com preocupações ambientais e de eficiência energética.

O sistema dispõe atualmente de 48 unidades de processamento gráfico de alto desempenho (GPU) e foi desenvolvido de forma modular, permitindo futuras expansões para responder às necessidades da investigação e da indústria.

A CSIRO acredita que esta infraestrutura poderá apoiar o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial em setores como energia, ambiente, infraestruturas e indústria avançada.

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