Nove búfalos foram encontrados mortos em circunstância estranhas, na Reserva Especial do Niassa (REN), a maior de Moçambique, localizada no norte do país, anunciaram as autoridades locais, apontando o afogamento como possível causa do incidente.
“A reserva detém um número avançado de veterinários e estão a debater [esta situação]. Alguns avançam a hipótese de afogamento, onde os animais foram arrastados até aquela região”, disse hoje o administrador da Reserva Especial do Niassa, Terêncio Tamele.
As autoridades do parque levantam ainda a hipótese da ingestão de produtos tóxicos pelos animais bravios, levando-os a procurar água, no rio Lugenda, que atravessa a região sul da reserva.
“Tendo consumido a água sem controlar os limites, uma vez que são animais irracionais, podem ter-se afogado com o aumento do caudal”, explicou Tamele.
De acordo com o administrador da REN, as comunidades residente em redor da área protegida tiraram parte da carne dos búfalos para consumo.
“Quando lá chegamos, verificamos que alguns populares já tinham retirado parte [da carne dos animais] e um número reduzido foi recuperado para podermos fazer as análises e para evitarmos problemas de saúde nas comunidades, caso seja envenenamento”, acrescentou.
Estabelecida em 1960, a Reserva Espacial do Niassa – criada como reserva de caça em 09 de outubro de 1954 -, localizada no norte do país, é a maior área protegida de Moçambique, com uma extensão de 42.400 quilómetros quadrados, albergando das maiores populações de algumas espécies no país, como elefantes, leões, leopardos, búfalos entre outros.
A reserva integra a Área de Conservação Transfronteiriça Niassa-Selous, que resulta de um acordo bilateral entre Moçambique e Tanzânia.
De acordo com informação do Ministério da Terra e Ambiente de Moçambique, os investimentos e reformas legais nos últimos 10 anos “trouxeram uma nova dinâmica e enormes ganhos para as áreas de conservação, em particular a Reserva Especial do Niassa”.
A REN é gerida no âmbito de um acordo de parceria público-privada envolvendo o Governo de Moçambique, através da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), e a Wildlife Conservation Society (WCS).
De acordo com dados da WCS, estima-se que a Reserva Nacional do Niassa representa 21% da Rede de Áreas Protegidas de Moçambique e 51% dos seus parques e reservas terrestres, fazendo “parte de um grupo de elite e cada vez mais raro de apenas sete ‘mega-áreas’ protegidas” na África Subsaariana.
Segundo a WCS, os principais desafios na Reserva Nacional do Niassa prendem-se com a necessidade de aumento e capacitação do seu efetivo de fiscais, incremento da vigilância aérea, incremento de meios que permitam uma maior capacidade reativa, proativa e eficiente na monitorização e fiscalização e estabelecimento de mais parcerias para cobrir as despesas de treinamentos e aquisição de meios de mitigação do conflito homem-fauna bravia e trabalhos comunitários.









