Pequenas aves canoras, conhecidas como silvereyes, que vivem em ilhas ao largo do estado de Queensland, na Austrália, desenvolveram “culturas” vocais distintas, com padrões de canto próprios que as diferenciam das populações do continente, segundo um estudo da University of the Sunshine Coast.
Os investigadores descobriram que estas aves, apesar de viverem em ilhas separadas por mais de 100 quilómetros, apresentam dialetos de canto mais semelhantes entre si do que em relação às aves do continente mais próximo. Este resultado contraria a ideia de que fatores como a distância geográfica ou a proximidade genética são os principais responsáveis pelas diferenças no canto.
A investigação, liderada por Marie Robert, analisou populações da Sunshine Coast e da Fraser Coast, no continente, bem como das ilhas Heron e Lady Elliot. As aves das ilhas tendem a produzir sons mais agudos, com sílabas mais longas e um repertório mais diversificado.
Segundo os autores, o canto destas aves é aprendido socialmente, o que permite mudanças mais rápidas do que as que ocorrem ao nível genético. Assim, as diferenças observadas parecem resultar de uma espécie de “cultura” partilhada dentro de cada comunidade.
Os resultados estabelecem um paralelo com as sociedades humanas, onde comunidades insulares frequentemente desenvolvem dialectos próprios.
Os investigadores admitem que este fenómeno não se limita às ilhas. Estudos anteriores já tinham demonstrado que aves da mesma espécie apresentam estilos de canto distintos consoante vivam em ambientes urbanos ou rurais.
O trabalho integra a iniciativa “Leaf to Reef”, dedicada ao estudo da biodiversidade da ilha Lady Elliot e da sua ligação à Grande Barreira de Coral.
Os autores sublinham que estas conclusões reforçam a ideia de que os animais também possuem tradições culturais, sendo capazes de desenvolver comportamentos que refletem o ambiente e a comunidade em que vivem.









