Aves estão a desaparecer das pradarias americanas, mesmo em áreas criadas para protegê-las

Um estudo da Universidade Estadual de Oklahoma e da Universidade Estadual do Michigan analisou 16 anos de dados sobre as aves de pradarias na região ocidental do estado norte-americano do Minnesota, em zonas com medidas de conservação, desde parques estaduais a terrenos privados cujos proprietários adotaram ações para proteger a Natureza.

Redação

As aves das pradarias estão entre os grupos que estão a sofrer as maiores e mais rápidas perdas, sobretudo devido à degradação e destruição de longa data dos seus habitats.

Nos Estados Unido da América, tal como em diversos locais na Europa, essas aves, cuja alimentação e reprodução depende fortemente de áreas também usadas pelos humanos, como zonas de pasto, estão a desaparecer, mesmo em áreas legalmente protegidas criadas para preservá-las.

Um estudo da Universidade Estadual de Oklahoma e da Universidade Estadual do Michigan analisou 16 anos de dados sobre as aves de pradarias na região ocidental do estado norte-americano do Minnesota, em zonas com medidas de conservação, desde parques estaduais a terrenos privados cujos proprietários adotaram ações para proteger a Natureza.

Entre 2008 e 2023, os investigadores estudaram esses locais, registando observações e sons das aves que apareciam durante a época de reprodução no verão. Olhando para o registo histórico, constataram um declínio preocupante das aves das pradarias, como o tico-tico-dos-prados (Passerculus sandwichensis) ou a carriça-dos-juncos (Cistothorus stellaris).

Num artigo publicado na revista ‘Ecological Applications’, revelam que, embora as espécies dependentes desses ecossistemas apresentem tendências populacionais piores do que as que usam vários tipos de habitats, mesmo aves mais generalistas, como a rola-carpideira (Zenaida macroura) ou a graúna-de-asa-vermelha (Agelaius phoeniceus), são hoje menos comuns do que eram há 15 ou 20 anos.

De uma forma geral, para as 33 espécies abrangidas por esta investigação, a probabilidade de observá-las em áreas protegidas caiu cerca de 22% durante o período do estudo.

O declínio das aves das pradarias não é propriamente novidade, pois um estudo de 2019 tinha já desvendado a preocupante estimativa de que o número de aves na América do Norte (EUA e Canadá) tinha diminuído em cerca de 30% nos últimos 50 anos. As aves das pradarias eram apontadas como as mais fortemente atingidas, com uma perda de metade das suas populações desde a década de 1970.

Contudo, este novo estudo mostra que essas aves continuam a desaparecer mesmo de áreas que foram criadas precisamente para impedir que isso aconteça e que até têm características ecológicas favoráveis à sua conservação. Embora as condições climáticas possam desempenhar um papel importante, não afetam todas as espécies de aves da mesma forma.

Por isso, os investigadores sugerem que as perdas de aves das pradarias se devem, essencialmente, aos efeitos duradouros da perda de habitat que intensificou-se no século XIX quando os colonos europeus começaram a chegar ao estado do Minnesota. Nessa altura, as pradarias cobriam cerca de um terço do estado, mas atualmente restam menos de 2%, tendo sido convertidas em pastos e áreas agrícolas.

Os autores deste estudo argumentam que, assim, os fragmentos de pradarias que sobraram podem ser demasiado pequenos ou isolados para impedir que as aves continuem a sofrer perdas. Além disso, apontam que o uso de pesticidas pode também ser fator importante, pois erradica os insetos de que essas aves dependem para alimentar a suas crias.

Ainda, dizem que as perdas podem também ser influenciadas pelo que acontece durante as migrações ou nos locais de invernada, pelo que defendem que a conservação das aves das pradarias nos EUA podem exigir o reforço da cooperação entre os países por onde elas passam.

“Viver dentro de áreas protegidas não protege automaticamente as aves do que acontece fora das áreas protegidas”, salientam os autores deste estudo.

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