Um estudo internacional liderado pela University of Adelaide conclui que as populações de baleia-da-Gronelândia estão a recuperar apenas nas regiões onde, há séculos, o gelo marinho dificultou a atividade baleeira.
A investigação baseou-se na análise de registos históricos de mais de 700 viagens de caça à baleia, permitindo reconstruir as rotas e os sucessos das expedições entre os séculos XVIII e XIX.
Segundo Damien Fordham, autor sénior do estudo, a expansão da caça foi rápida: em menos de um século, os baleeiros chegaram à maioria dos habitats da espécie no Ártico, com exceção das zonas mais isoladas e protegidas pelo gelo.
Essas barreiras naturais acabaram por funcionar como refúgios. As populações que sobreviveram nessas áreas estão hoje a recuperar mais rapidamente, ao contrário de outras que foram mais intensamente exploradas.
A caça à baleia-da-Gronelândia intensificou-se a partir do século XVIII, quando baleeiros britânicos e norte-americanos se juntaram à atividade já iniciada por pescadores bascos no século XVI. O óleo extraído da gordura destes animais era amplamente utilizado na indústria, o que levou a uma exploração massiva e à queda acentuada das populações.
De acordo com Nicholas Freymueller, atualmente apenas duas das quatro populações existentes — ao largo do Alasca e da Gronelândia Ocidental — mostram sinais claros de recuperação.
Já as populações do leste da Gronelândia e do mar de Okhotsk, onde o gelo oferecia menos proteção, continuam sem recuperação significativa.
Os investigadores defendem que estes resultados mostram a importância de considerar o impacto histórico da atividade humana na conservação das espécies. Para espécies marinhas de longa duração, como as baleias, os efeitos de pressões exercidas há séculos continuam a influenciar a sua recuperação atual.









