Borboletas mais bonitas recebem mais atenção na conservação, mesmo quando não são as mais ameaçadas

A investigação baseou-se num inquérito realizado a mais de 21 mil pessoas de várias partes do mundo, que avaliaram a beleza de diferentes espécies de borboletas a partir de imagens disponíveis na internet.

Redação

As borboletas consideradas mais bonitas pelo público recebem uma atenção desproporcional em áreas como a investigação científica, a conservação e a proteção legal, enquanto espécies menos apelativas podem enfrentar riscos de extinção mais elevados, revela um estudo internacional publicado numa revista científica.

A investigação baseou-se num inquérito realizado a mais de 21 mil pessoas de várias partes do mundo, que avaliaram a beleza de diferentes espécies de borboletas a partir de imagens disponíveis na internet. Com base nas respostas, os investigadores criaram um Índice de Beleza das Espécies, que depois compararam com dados sobre investigação científica, medidas de conservação e atenção pública.

Os resultados mostram uma relação clara entre a aparência das borboletas e a atenção que recebem. As espécies consideradas mais bonitas têm maior probabilidade de surgir em iniciativas e instrumentos que orientam o financiamento e as decisões de conservação, independentemente do seu verdadeiro estado de ameaça.

Já as espécies consideradas menos apelativas tendem a receber menos atenção, mesmo quando apresentam riscos de conservação significativos.

O trabalho alerta, assim, para o impacto que as preferências estéticas podem ter sobre a forma como os recursos destinados à proteção da biodiversidade são distribuídos. A concentração de esforços em espécies visualmente mais atrativas pode deixar outras, menos populares junto do público, com menor capacidade de mobilizar investigação, financiamento e medidas de proteção.

Os investigadores defendem que as estratégias de conservação devem ter em conta critérios ecológicos e o risco de extinção, evitando que a perceção humana da beleza determine quais as espécies que recebem maior proteção.

A conclusão é particularmente relevante num contexto de perda de biodiversidade, em que os recursos disponíveis para a conservação são limitados e é necessário definir prioridades com base nas necessidades efetivas das espécies e dos ecossistemas, e não apenas no seu apelo visual.

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