Um novo projeto de ciência cidadã, liderado pela Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW Sydney), está a mobilizar a população para ajudar na identificação e registo da floração de uma das espécies mais importantes dos ecossistemas costeiros: a Posidonia australis. A iniciativa, intitulada Seeds of the Sea (Sementes do Mar), pretende criar o primeiro retrato à escala estadual da floração desta erva marinha, com o objetivo de apoiar futuros esforços de recuperação ecológica.
A Posidonia australis é uma espécie ameaçada que forma densas pradarias subaquáticas capazes de capturar carbono, proteger a linha costeira e fornecer habitat vital para diversas espécies marinhas. No entanto, muitas destas pradarias, particularmente na costa de Nova Gales do Sul, têm vindo a desaparecer devido à dragagem histórica, poluição e, mais recentemente, aos impactos das alterações climáticas, da navegação e do desenvolvimento urbano costeiro.
Ao contrário das plantas terrestres que dependem do vento ou de insetos para polinização, as ervas marinhas como a Posidonia libertam o pólen na água, que é transportado pelas correntes até outras flores, permitindo a fertilização.
“Ainda sabemos muito pouco sobre quando e onde estas pradarias marinhas florescem e produzem sementes em Nova Gales do Sul,” explica Natalie Coy, investigadora de doutoramento na UNSW e coordenadora do projeto, citada em comunicado. “Ao partilhar observações, a comunidade pode ajudar a colmatar essa lacuna.”
Habitualmente, a Posidonia reproduz-se através de clonagem, enviando novos rebentos a partir de raízes subterrâneas — um processo semelhante ao das relvas em terra. No entanto, também tem capacidade para florir e produzir frutos, o que permite a mistura de material genético entre plantas diferentes. Este aumento da diversidade genética é crucial para a adaptação a ambientes em mudança e para reforçar a resiliência da espécie face às alterações climáticas.
“Com dados mais robustos sobre os períodos de floração e frutificação, podemos ampliar o trabalho com os nossos parceiros na recuperação das pradarias danificadas”, sublinha Natalie Coy.
O projecto apela à participação do público através do envio de fotografias de flores, frutos ou sementes de Posidonia australis encontradas nas praias da Nova Gales do Sul, ou avistadas durante atividades de snorkelling ou mergulho (sempre com segurança). Os participantes são convidados a carregar as imagens, juntamente com a data e localização, na plataforma online do projeto.
Na região, a floração e frutificação costumam ocorrer entre Agosto e Dezembro, podendo, em alguns casos, prolongar-se até Janeiro — embora o calendário exato varie consoante o ano e o local.
Através desta recolha coletiva de dados, os investigadores esperam encontrar novos pontos de recolha de sementes, fundamentais para restaurar ecossistemas marinhos degradados e assegurar a sobrevivência a longo prazo da Posidonia australis.









