Os pangolins são considerados os mamíferos mais traficados em todo o mundo, capturados ilegalmente e explorados pela sua carne e também pelas suas escamas, usadas na medicina tradicional.
Quando são apreendidos animais vivos, ou partes deles, saber de onde vieram é importante para ajudar entidades policiais e organizações não-governamentais a identificarem locais de captura, a intensificarem a vigilância e, se for o caso, implementar ou reforçar medidas de conservação.
No entanto, descobrir a origem de pangolins apreendidos não é fácil, sobretudo pela falta de referências genéticas que associem determinada espécie ou população a um certo local ou região. É essa dificuldade que um grupo de investigadores quis resolver.
Composta por cientistas da Ásia, Europa e África, e liderada pelo Centro de Investigação sobre a Biodiversidade e o Ambiente, da Universidade de Toulouse (França), a equipa criou o que descreve como um “mapa de ADN georreferenciado” que permite localizar a origem provável de pangolins traficados.
A base de referência foi criada através da sequenciação genética de mais de 700 amostras recolhidas em museus, em locais de investigação de campo, em mercados de carne de animais selvagens para consumo humano (também conhecida como “bushmeat”) e de apreensões feitas em rotas de comércio internacional.
Os investigadores dizem que esta ferramenta torna “mais acessível e útil” o uso de informação genética para esforços de conservação ou para combater o tráfico de pangolins. E asseguram que pode ser aplicada a qualquer uma das oito espécies conhecidas.
O estudo, publicado na revista ‘PLOS Biology’, revelou vários locais de intensa captura ilegal de pangolins, sobretudo no sudoeste dos Camarões, em Myanmar e no sudoeste do Bornéu. Acima de tudo, os autores dizem que é possível identificar as principais rotas de comércio, da China às ilhas da Indonésia.
“O comércio doméstico de pangolins é sobretudo local, mas sobrepõe-se às mesmas regiões de fornecimento do tráfico internacional, revelando, assim, uma cadeia de abastecimento interligada, em vez de mercados separados”, explica Philippe Gaubert, principal coautor do trabalho.
Os investigadores estão confiantes de que o mapa genético que desenvolveram tem “grande potencial” para monitorizar o comércio ilegal de vida selvagem, uma das grandes ameaças à conservação e sobrevivência de várias espécies.
“Demonstrámos que é possível determinar a origem geográfica de pangolins traficados com uma precisão notável, em alguns casos até 8,6 quilómetros do local onde foram capturados”, diz Sean Heighton, primeiro autor do artigo.
“Isso permite uma conservação mais eficaz ao direcionar recursos limitados para os locais em que há mais caça furtiva, onde uma série de medidas específicas podem ser implementadas para desmantelar redes de comércio ilegal”, acrescenta.
Os investigadores estão a trabalhar com autoridades nacionais, organizações não-governamentais, a União Internacional para a Conservação da Natureza e universidades do Sul Global para tornarem este método genético mais acessível, com o objetivo de transferirem para esses parceiro o conhecimento e os recursos que lhes permitam desenvolver os seus próprios mapas de ADN georreferenciado e para identificarem locais de origem de pangolins apreendidos.









