Cientistas criam primeiro mapa global de alta resolução de ervas-marinhas

De acordo com os dados, quase 70% das ervas-marinhas estão concentradas nas costas de apenas cinco países: Estados Unidos da América, Bahamas, Cuba, Austrália e Indonésia. Quando compararam imagens de satélite de 2019 a 2020 e de 2023 a 2024, os cientistas constataram uma perda de cerca de 4% de ervas-marinhas.

Redação

As ervas-marinhas, que sob as ondas formam pradarias semelhantes às que existem em terra firme, constituem ecossistemas importantes para suportar a biodiversidade costeira. Além disso, oferecem serviços vitais, como a proteção contra a erosão das costas, alimentos e sequestro de carbono.

Contudo, uma equipa liderada pela Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos da América, considera que são dos ecossistemas costeiros vegetados sobre os quais menos se sabe. Foi isso que levou esses cientistas a criarem o que descrevem como o primeiro mapa global de alta resolução de ervas-marinhas.

Num artigo publicado na revista ‘Nature’, os investigadores revelam também como é que a cobertura de ervas-marinhas mudou entre 2019 e 2024 em todo o mundo, e dizem que, em termos de conservação, há motivos para esperança, mas também para preocupação.

De acordo com os dados, quase 70% das ervas-marinhas estão concentradas nas costas de apenas cinco países: Estados Unidos da América, Bahamas, Cuba, Austrália e Indonésia. Quando compararam imagens de satélite de 2019 a 2020 e de 2023 a 2024, os cientistas constataram uma perda de cerca de 4% de ervas-marinhas.

Grande parte dessa perda deveu-se a atividades humanas, incluindo o desenvolvimento costeiro na China e a poluição por fertilizantes na Flórida. Os fatores climáticos também foram determinantes, como o furacão Dorian nas Bahamas e uma onda de calor marinha na Austrália, mas os autores dizem que são precisos mais dados e durante períodos mais longos para conseguirem estabelecer uma relação causal mais clara entre esses fenómenos e as perdas de ervas-marinhas.

A equipa avisa que danos aos ecossistemas de ervas-marinhas têm consequências, como a perda de habitat adequado para a vida marinha, menos alimentos e fontes de subsistência para as comunidades costeiras, linhas de costa mais vulneráveis a tempestades e à erosão, e maior libertação de gases com efeito de estufa.

A equipa acredita que este mapa ajudará a criar “áreas marinhas protegidas mais estratégicas”. O estudo mostra que, em todo o mundo, apenas 21% da ervas-marinhas estão localizadas dentro de áreas marinhas protegidas, e que cerca de 80% das perdas registadas aconteceu fora dessas zonas.

Do lado da esperança, a investigação nota o aumento da cobertura de ervas-marinhas em South Bay, perto de Los Angeles, nos Estados Unidos, graças a ações de restauro, e também em Cuba devido a melhorias na qualidade da água.

“O mapa tornará possível ver onde futuros esforços de restauro terão os maiores impactos”, dizem os cientistas.

Jiwei Li, da Universidade Estadual do Arizona e um dos principais autores, considera que o estudo permite que as ervas-marinhas deixem de ser “um ecossistema mal quantificado” e passem a ser “um ativo climático e de conservação globalmente observável”. Com isso, diz, será possível tomar decisões mais transparentes e orientadas por dados sobre a gestão costeira e a mitigação climática.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.