Investigadores liderados pelo Australian Institute of Marine Science (AIMS) desenvolveram uma nova abordagem para prever a propagação de algas invasoras através da análise dos movimentos de embarcações ao longo da costa da Nova Zelândia.
O estudo focou-se nas espécies invasoras Caulerpa brachypus e Caulerpa parvifolia, consideradas uma ameaça crescente para os ecossistemas costeiros neozelandeses devido à sua rápida disseminação através de âncoras, cabos e equipamentos náuticos contaminados.
Os resultados, publicados em dois artigos científicos, mostram como a análise das rotas marítimas pode ajudar a identificar áreas de maior risco, prever possíveis trajetos de dispersão e apoiar estratégias de vigilância e resposta rápida.
A equipa científica utilizou sistemas automáticos de identificação instalados em embarcações, combinados com inquéritos a navegadores recreativos, para mapear ligações entre diferentes zonas costeiras.
Através dessa análise, os investigadores identificaram:
- locais prioritários para vigilância e deteção precoce;
- rotas mais prováveis de propagação da alga;
- cenários de dispersão em larga escala em caso de ausência de controlo.
Segundo Cal Faubel, investigador do AIMS e autor principal do estudo, a investigação coincidiu com a deteção real da alga invasora na região de Northland, a norte de Auckland, permitindo testar o modelo em contexto real.
“As conclusões ajudaram a orientar os esforços de vigilância e demonstraram que esta abordagem pode fornecer apoio prático e imediato às decisões de biosegurança”, afirma.
As espécies de Caulerpa analisadas apresentam características semelhantes às de outras algas invasoras já conhecidas internacionalmente, como Caulerpa taxifolia, responsável por alterações profundas em ecossistemas costeiros na Austrália e no Mediterrâneo.
Estas algas formam extensos tapetes monoculturais que sufocam pradarias marinhas, reduzem a biodiversidade e afetam habitats de moluscos e outras espécies marinhas. Além disso, conseguem regenerar-se a partir de pequenos fragmentos.
Os investigadores alertam que a alga pode sobreviver até 10 dias fora de água quando presa em equipamentos náuticos, o que aumenta significativamente o risco de transporte entre diferentes regiões costeiras.
A análise identificou cerca de 4.000 eventos de ancoragem na região de Northland provenientes de áreas infestadas e permitiu assinalar 13 locais de elevado risco, incluindo zonas na Baía das Ilhas.
Kaeden Leonard, gestor de biosegurança marinha do Conselho Regional de Northland, considera que o estudo reforça a confiança nas atuais estratégias de monitorização.
“Estas áreas já eram consideradas prioritárias devido à elevada atividade náutica, e felizmente ainda não foram detetadas novas infestações”, afirma.
Para os cientistas, esta abordagem baseada em redes de conectividade marítima poderá tornar-se uma ferramenta essencial na gestão de espécies invasoras marinhas, especialmente em países com extensas zonas costeiras e recursos limitados para monitorização ambiental.









