Investigadores da Nova Zelândia e da Indonésia defendem que os cigarros eletrónicos podem desempenhar um papel relevante na redução do consumo de tabaco a nível global, sublinhando que o foco das políticas públicas deve estar na eliminação do cigarro convencional.
Num artigo de opinião publicado na revista Nature Health, os autores apontam a Nova Zelândia como exemplo, onde as taxas de tabagismo diminuíram de forma mais rápida após a popularização dos dispositivos de vaping a partir de 2018, sobretudo entre comunidades mais vulneráveis.
Segundo Robert Beaglehole, da University of Auckland, “as pessoas fumam pela nicotina, mas morrem devido às toxinas presentes no fumo do tabaco”, destacando que produtos sem combustão podem reduzir significativamente os danos associados ao consumo de nicotina.
Os especialistas reconhecem que os cigarros eletrónicos não são isentos de riscos e devem continuar a ser regulados, mas consideram que são substancialmente menos nocivos do que o tabaco tradicional, podendo funcionar como ferramenta de redução de danos.
Os dados citados indicam que a taxa de fumadores adultos na Nova Zelândia desceu para menos de 7%, enquanto o consumo entre jovens atingiu mínimos históricos, numa evolução associada ao aumento do uso de alternativas como os vapes.
Apesar disso, os autores alertam para a persistência de perceções erradas sobre os riscos do vaping, frequentemente alimentadas por estudos laboratoriais que não refletem condições reais de utilização.
O artigo conclui que estratégias integradas que incluam produtos alternativos de nicotina poderão acelerar a redução do tabagismo noutros países, desde que acompanhadas por regulação adequada e campanhas de informação claras.









