Os coalas (Phascolarctos cinereus), mamífero marsupial icónico da fauna australiana, sofreram um “grave declínio populacional” há cerca de 100 mil anos, antes de os humanos terem chegado pela primeira vez a esse continente.
A descoberta é revelada num artigo publicado na revista ‘Molecular Biology and Evolution’, e foi liderada pela Universidade de Sydney. E mostra também que todos os coalas que hoje vivem descendem de uma única população ancestral que sobreviveu a duras transformações climáticas, como períodos glaciais, bem como a flutuações entre períodos de muito calor e de muito frio associados ao movimento da placa tectónica australiana.
Os autores deste estudo, que teve a genética como pilar fundamental, dizem que os resultados que obtiveram contradizem estudos anteriores que sugerem que as populações de coala só começaram a sofrer declínios depois da chegada dos humanos à Austrália, há cerca de 50 ou 60 mil anos.
“O estudo reescreve a linha temporal da história genética dos coalas na Austrália”, diz Toby Kovacs, primeiro autor do artigo.
“Ao calcular a taxa de mutação das populações atuais de coalas, podemos estimar e criar uma linha temporal genética em sentido inverso até há 100 mil anos, para ter uma ideia da diversidade genética e da dimensão das populações antigas de coalas”, detalha o investigador.
E acrescenta que os registos fósseis da espécie estão tão dispersos que é difícil, por esse meio, saber ao certo a dimensão das populações de coalas há 100 mil anos, pelo que “estudar os seus genomas fornece pistas vitais sobre a sua história evolutiva”.
Os dados mostram que quando, numa Austrália sem humanos, as condições ambientais melhoravam, as populações de coalas recuperavam e voltavam a expandir-se. Contudo, atualmente, a população sobrevivente, no leste do continente (a do ocidente acabou por desaparecer com a redução do habitat causada por profundas alterações ambientais) enfrenta outras ameaças, de origem humana, que a empurram para a extinção, como a caça e a perda de habitat.
“Compreender como as populações de coalas responderam a declínios e recuperações no passado pode ajudar a orientar as estratégias de conservação baseadas na ciência que são necessárias para proteger a espécie no futuro”, sentencia Kovacs.









