Coexistência com os humanos deve estar no centro do novo plano de conservação do lince-ibérico, diz LPN

Esta é uma das principais mensagens deixadas pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) no seu parecer à proposta para a nova estratégia de conservação desse felídeo, cuja consulta pública terminou no passado dia 12 de junho.

Redação

Assegurar que humanos e linces-ibéricos vivem lado a lado da forma mais harmoniosa possível deve estar no centro do novo Plano de Ação para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal (PACLIP 2026-2030).

Esta é uma das principais mensagens deixadas pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) no seu parecer à proposta para a nova estratégia de conservação desse felídeo, cuja consulta pública terminou no passado dia 12 de junho.

Reconhecendo que a recuperação do lince-ibérico “é um dos maiores sucessos da conservação da natureza a nível mundial”, tendo permitido “salvar da extinção aquele que chegou a ser o felino mais ameaçado do mundo”, a organização diz que agora é preciso “garantir uma coexistência duradoura” entre a espécie selvagem e as comunidades humanas dos territórios onde ela está já presente ou que pode vir a recolonizar.

Para a LPN, é essencial compreender como é que as populações humanas olham para o lince-ibérico e para o seu regresso, monitorizando a evolução dessa perceção e tentando antecipar possíveis conflitos “que são normais nestas histórias de sucesso”, dizem os ambientalistas, mas que não deixa de “constituir uma prioridade para garantir o sucesso” da conservação do lince a longo prazo.

“Compreender as expectativas, preocupações e experiências das comunidades locais é hoje tão importante como monitorizar a população de linces, garantir a qualidade do habitat ou recuperar as populações de coelho-bravo”, diz Rúben Sousa de Oliveira, membro da direção nacional da LPN.

“A coexistência constrói-se através do diálogo, da confiança e da capacidade de antecipar desafios antes que se transformem em conflitos”, acrescenta.

O parecer alerta também para a importância de “preparar os territórios” para os quais é possível que o lince-ibérico se venha a expandir nos próximos anos, para que sejam criadas as “condições para uma coexistência positiva antes da chegada de novos indivíduos”.

Defende a LNP que a experiência acumulada demonstra que esta preocupação é hoje “tão importante” quanto assegurar habitat adequado ou populações saudáveis da sua principal presa, o coelho-bravo.

“Além dos impactos económicos, importa reconhecer os efeitos sociais e emocionais associados à perda de animais de companhia ou de aves domésticas devido ao comportamento territorial e predatório do lince-ibérico”, salienta.

Para Rita Martins, Coordenadora do Departamento de Intervenção e Políticas Ambientais da LPN, “existem desafios emergentes e subsistem linhas de trabalho com fraca execução, como a articulação das medidas de política”.

Diz a também representante da organização na Comissão Executiva do PACLIP que “precisamos de condições para operacionalizar este novo Plano de Ação com sucesso, envolvendo todas as partes interessadas e considerando, de forma efetiva, os seus contributos relevantes”.

Sobre o combate às ameaças ao lince, a LPN diz que é preciso ir mais longe no combate à mortalidade da espécie, “aproximando Portugal das metas definidas à escala ibérica”. Entre outros aspetos que “ainda precisam ser trabalhados”, a organização aponta “a melhor articulação entre políticas públicas que influenciam a conservação do lince-ibérico” e “a inclusão de uma estimativa clara dos recursos financeiros necessários para transformar os objetivos do plano em ações concretas”.

A recuperação do lince-ibérico “entra agora num novo capítulo”, avisa a LPN, “tão determinante quanto os anteriores, para assegurar que esta notável história de recuperação se possa ver concluída na próxima década”.

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