Colômbia em negociações com a Índia para realojar hipopótamos de Escobar

O ministério do Ambiente colombiano informa que, na semana passada, solicitou ao governo indiano uma resposta formal quanto à autorização da transferência dos paquidermes para um centro de vida selvagem Vantara, detido pelo milionário Anant Mukesh Ambani, que funciona como santuário para animais resgatados.

Filipe Pimentel Rações

O governo da Colômbia está em conversações com a Índia para encontrar uma casa para alguns dos hipopótamos que descendem dos animais que o barão da droga Pablo Escobar levou para o país sul-americano na década de 1980.

O ministério do Ambiente colombiano, em comunicado, informa que, na semana passada, solicitou ao governo indiano uma resposta formal quanto à autorização da transferência dos paquidermes para um centro de vida selvagem Vantara, na cidade de Jamnagar, detido pelo milionário Anant Mukesh Ambani, que funciona como santuário para animais resgatados.

De acordo com o país sul-americano, o gerente do centro, Vivaan Karani, expressara, via missiva recebida pela Colômbia, a intenção de acolher 80 hipopótamos, de uma população total estimada de 200. As conversações com a Índia já decorrem desde 2023, através de contactos técnicos e diplomáticos, mas o governo colombiano diz que ainda aguarda uma resposta por parte do executivo indiano.

Em abril, a Colômbia anunciara que tinha ativado um plano de emergência para controlar os hipopótamos no país, o único fora de África com uma população selvagem da espécie, declarada espécie exótica invasora em 2022, uma decisão justificada pelos “impactos negativos que geram nos ecossistemas”, explica do ministério do Ambiente, “especialmente na qualidade da água e em espécies nativas”, como o manatim e a tartaruga Podocnemis lewyana.

A ministra do Ambiente colombiana, Irene Veléz Torres, tinha dito que “para reduzir a população de hipopótamos há dois caminhos: a translocação e a eutanásia”.

O futuro dos hipopótamos de Escobar é ainda incerto, com o governo da Colômbia a dizer que, embora continue a explorar alternativas ao abate, não abrirá mão da “necessidade de proteger as nossas espécies nativas, ecossistemas e comunidades”.

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