Colónias de vermes e moluscos descobertas a 10 km de profundidade

Uma equipa de cientistas chineses descobriu moluscos e vermes a quase 10 mil metros de profundidade, as colónias de organismos observadas mais fundo no mar até agora, indica um estudo divulgado hoje na revista científica Nature.

Green Savers com Lusa

Uma equipa de cientistas chineses descobriu moluscos e vermes a quase 10 mil metros de profundidade, as colónias de organismos observadas mais fundo no mar até agora, indica um estudo divulgado hoje na revista científica Nature.

Concentração de bivalves da espécie Abyssogena phaseoliformis. Foto: Xiaotong Peng et al., 2025, Nature.

Os investigadores consideram que a descoberta sugere que outros organismos poderão desenvolver-se nas condições extremas do fundo oceânico em grande parte inexplorado.

A maioria das formas de vida na Terra depende da luz solar, essencial para a fotossíntese, sobrevivendo os seres vivos encontrados na escuridão total do fundo oceânico graças a substâncias químicas, como o sulfureto de hidrogénio e o metano, que se infiltram através de falhas nas placas tectónicas, processo designado de quimiossíntese.

Utilizando o submersível chinês “Fendouzhe”, foram realizados o ano passado 23 mergulhos na Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico Ocidental, tendo os cientistas descoberto, a profundidades que variam entre os 2.500 e os 9.533 m, colónias de milhares de vermes tubulares e moluscos chamados bivalves.

A missão percorreu mais de 2.500 quilómetros de superfície ao longo de ambas as fossas, com profundidades que variam entre os 5.800 e os 9.533 metros.

Segundo o estudo, estas são “as maiores e mais profundas comunidades baseadas na quimiossíntese conhecidas até hoje na Terra”.

Poucas pessoas conseguiram visitar o fundo da Fossa das Marianas, o vale subaquático mais profundo do planeta, refere a agência noticiosa France-Presse.

A depressão em forma de crescente, mais profunda do que o Monte Evereste, foi visitada por exploradores pela primeira vez em 1960 e nenhuma outra missão foi realizada até à primeira viagem a solo do cineasta norte-americano James Cameron ao fundo, em 2012.

O realizador de “O Abismo” descreveu a paisagem como “estranha” e “desolada”, adianta a AFP, indicando que a pressão no fundo da vala atinge mais de uma tonelada por centímetro quadrado, quase 1.100 vezes a do nível do mar.

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