Durante os primeiros seis meses de 2026, oito empresas petrolíferas fizeram, no seu conjunto, lucros 7,5 mil milhões de euros acima do que seria de esperar, um aumento causado pelos impactos da guerra no Médio Oriente.
A estimativa é avançada pela organização não-governamental Transport & Environment (T&E), que analisou os lucros da Shell, BP, TotalEnergies, Eni, Orlen, Repsol, OMV e Moeve. Esse grupo conseguiu lucros excedentários de 1,6 mil milhões de euros na União Europeia durante o primeiro trimestre do ano, um valor que mais do que triplicou para 5,9 mil milhões no trimestre seguinte.
No total, o grupo de oito conseguiu lucros excedentários globais de 17,9 mil milhões de euros, dos quais 42% foram gerados na UE.
A entidade refere que a diferença nos valores pode ser, pelo menos em parte, explicada pelo facto de o primeiro trimestre ter contado apenas com um mês de guerra no Médio Oriente, enquanto o segundo foi marcada na sua totalidade pelos impactos do conflito.
Os lucros excedentários foram mais expressivos na Polónia, em Espanha, na Alemanha e em França. Uma vez que esses lucros resultam de receitas geradas na UE, a T&E argumenta que poderiam ser alvo de um imposto permanente para canalizá-los para financiar a transição energética e reduzir a exposição dos condutores europeus à volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis.
“As gigantes petrolíferas estão a abandonar a energia verde enquanto os condutores pagam a conta dos seus lucros recorde”, lança Antony Froggatt, responsável das áreas de Energia, Aviação e Transporte Marítimo da T&E.
“Com a Europa a arder, isto é injusto. A UE deve tributar os lucros excedentários e usar os fundos para tornar a mobilidade elétrica mais acessível a todos. Esta tem de ser a última crise do petróleo”, defende o especialista.
A organização, citando dados de uma sondagem realizada pela YouGov, em colaboração com outras entidades, diz que a grande maioria dos europeus apoia a tributação de lucros excedentários.









