Companhias aéreas consideram produção de combustível verde para aviação “dececionante”

Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo, produção de combustível sustentável para aviação (SAF, na sigla em inglês) alcançará em 2026 cerca de 2,4 milhões de toneladas, em comparação com 1,9 milhões de toneladas em 2025 e um milhão de toneladas em 2024.

Green Savers com Lusa

A produção global atual de combustível sustentável para aviação, que cobre apenas 0,8% do consumo total das companhias aéreas, foi, no passado sábado, considerada “dececionante” pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

Segundo a entidade, que agrupa cerca de 470 companhias aéreas responsáveis por mais de 80% do tráfego aéreo mundial e que realizará a sua reunião anual a partir de domingo na cidade brasileira do Rio de Janeiro, a produção de combustível sustentável para aviação (SAF, na sigla em inglês) alcançará em 2026 cerca de 2,4 milhões de toneladas, em comparação com 1,9 milhões de toneladas em 2025 e um milhão de toneladas em 2024.

Embora tal represente um crescimento anual durante dois anos consecutivos, continua muito aquém do necessário para que o setor alcance a sua meta de emissões líquidas zero até 2050.

“Parece que será mais um ano dececionante para a produção de SAF”, declarou o diretor-geral da IATA, Willie Walsh, referindo que, cinco anos depois de a indústria ter adotado o compromisso de neutralidade climática, estes combustíveis representarão menos de 1% do combustível utilizado pela aviação comercial.

Walsh atribuiu o lento progresso a políticas públicas mal coordenadas e à falta de interesse das empresas petrolíferas em investir em alternativas renováveis.

O mais grave, segundo a IATA, é que os projetos atualmente existentes em todo o mundo têm capacidade para produzir até nove milhões de toneladas anuais.

“Grande parte dessa capacidade é desperdiçada, porque as políticas públicas favorecem a produção de gasóleo vegetal e não a de SAF”, afirmou a vice-presidente de Sustentabilidade da IATA, Marie Owens Thomsen, em conferência de imprensa.

E os cerca de 370 projetos já em funcionamento ou em desenvolvimento para produzir o combustível sustentável são também insuficientes para satisfazer a procura, uma vez que têm uma capacidade de produção combinada de 20 milhões de toneladas até 2030, das quais oito milhões de toneladas nos países da América, segundo Thomsen.

Segundo a associação, o caminho para que o SAF contribua com aproximadamente 65% da redução de emissões de que o setor necessita até 2050 está a tornar-se cada vez mais difícil, à medida que se acumulam os atrasos no aumento da oferta.

Esta preocupação surge num contexto de volatilidade energética internacional devido à subida a pique dos preços dos combustíveis causada pela guerra no Médio Oriente.

A IATA considera que as recentes tensões nos mercados petrolíferos deveriam acelerar o desenvolvimento de combustíveis renováveis, para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e reforçar a segurança energética do setor da aviação.

O SAF, produzido a partir de matérias-primas como óleos usados, resíduos agrícolas ou biomassa, pode reduzir as emissões de carbono até 80% em comparação com o querosene convencional, mas continua a enfrentar obstáculos relacionados com os seus elevados custos de produção.

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