Compostagem de resíduos orgânicos pode melhorar o sabor dos tomates, revela estudo

Investigadores da School of Agriculture and Food Sustainability cultivaram tomates no sudeste de Queensland em condições comerciais, comparando plantas cujo solo recebeu composto proveniente de resíduos orgânicos com outras cultivadas sem esse composto. Os frutos foram posteriormente submetidos a análises químicas e sensoriais.

Redação

A utilização de composto produzido a partir de resíduos alimentares e de jardim pode tornar os tomates cultivados comercialmente mais doces e melhorar o seu aroma e aparência, segundo um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália.

Investigadores da School of Agriculture and Food Sustainability cultivaram tomates no sudeste de Queensland em condições comerciais, comparando plantas cujo solo recebeu composto proveniente de resíduos orgânicos — FOGO (Food Organics and Garden Organics) — com outras cultivadas sem esse composto. Os frutos foram posteriormente submetidos a análises químicas e sensoriais.

Os resultados mostraram que, cinco dias depois da colheita, não existiam diferenças significativas na avaliação sensorial dos dois grupos. Contudo, após mais uma semana de armazenamento, os tomates cultivados com composto FOGO tinham o dobro da probabilidade de serem identificados como mais doces pelos participantes. Os frutos do grupo de controlo foram mais frequentemente descritos como insípidos, enquanto os tomates tratados com composto foram associados a uma aparência mais apelativa e a um aroma mais agradável.

A análise química ajudou a explicar estas diferenças. Os tomates cultivados com composto apresentaram níveis mais elevados de compostos relacionados com os açúcares e uma redução do ácido málico, que pode contribuir para o sabor ácido. Depois do período de armazenamento, registaram também concentrações superiores de aminoácidos associados aos sabores salgados e umami.

Os investigadores salientam que o período entre as duas avaliações procurou reproduzir o percurso habitual dos tomates entre a exploração agrícola, a loja e o consumidor. Apesar de não terem sido observadas diferenças relevantes no rendimento ou no tamanho e aparência dos frutos no momento da colheita, as análises indicam que a utilização de composto FOGO pode contribuir para que o produto chegue ao consumidor com melhores características sensoriais.

Para Nicole Robinson, investigadora da Universidade de Queensland e autora do estudo, os resultados fornecem evidência científica de que o composto produzido a partir de resíduos alimentares e de jardim pode contribuir não apenas para a produção agrícola, mas também para a qualidade dos alimentos.

A investigadora considera ainda que a valorização destes resíduos na agricultura representa uma oportunidade ambiental, ao evitar o seu encaminhamento para aterro, onde contribuem para a emissão de gases com efeito de estufa, e ao devolvê-los ao solo sob a forma de matéria orgânica.

O composto utilizado no estudo foi adquirido a um fornecedor comercial que o produz a partir de resíduos recolhidos nos contentores de resíduos orgânicos de habitações e empresas. O trabalho foi publicado na revista científica npj Science of Food.

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