Comunidades e empresas devem preparar-se para o risco de tsunamis

“O objetivo do nosso artigo é incentivar os municípios costeiros e outras partes interessadas a levarem essas ameaças a sério”, afirma um dos autores do estudo, Dan Shugar, investigador da Universidade de Calgary, no Canadá, em declarações à revista científica.

Green Savers com Lusa

Comunidades e empresas devem preparar-se para o risco de o degelo dos glaciares poder desencadear tsunamis gigantescos, havendo necessidade urgente de desenvolver vigilância mais eficaz, alertam cientistas num estudo publicado na revista Science.

“O objetivo do nosso artigo é incentivar os municípios costeiros e outras partes interessadas a levarem essas ameaças a sério”, afirma um dos autores do estudo, Dan Shugar, investigador da Universidade de Calgary, no Canadá, em declarações à revista científica.

A equipa de cientistas estudou o tsunami que atingiu o Alasca no verão de 2025, quando o deslocamento de uma montanha para o mar causou o equivalente a um terramoto de magnitude 5,4, resultando na elevação do nível do mar de até 481 metros ao longo da parede do fiorde Tracy Arm, onde teve origem.

Os investigadores reconstruíram o evento usando dados de satélite de antes e depois do ocorrido, informações sísmicas, modelos numéricos e relatos de testemunhas oculares, como o de um grupo de caiaque que estava acampado na altura e que relatou que a água invadiu as tendas, arrastando caiaques e outros pertences.

A análise combinada revelou que, embora a encosta apresentasse poucos sinais visíveis de alerta prévio, havia sinais sísmicos que indicavam uma acumulação de instabilidade nos dias, e especialmente nas horas, que antecederam o deslizamento de terra que produziu ondas sísmicas detetáveis em todo o mundo.

Como principal lição aprendida, os investigadores destacam que estes eventos devem ser monitorizados de perto, pois vão tornar-se mais comuns à medida que o aquecimento global causa o degelo dos glaciares, especialmente nas regiões polares e subpolares.

Os autores observam que pelo menos seis companhias de cruzeiro modificaram os itinerários no Alasca para 2026 devido aos riscos que ainda existem no Fiorde de Tracy Arm, e o ‘site’ do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alerta para o perigo de deslizamentos de terra nessas áreas.

 

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