Os condutores europeus podem vir a pagar um uns adicionais 150 milhões de euros por causa do conflito no Médio Oriente que está a levar os preços do petróleo acima dos 100 dólares por barril.
A conclusão é de uma análise feita pela organização Transport & Enviroment, que avisa que a Europa pagará “um preço elevado” pela sua dependência de petróleo importado. E entidade diz que é preciso um foco em medidas de longo-prazo, ao invés de em ajuste de curto-prazo, “para libertar a Europa da volatilidade dos choques geopolíticos”.
O relatório tem por base a análise do aumento dos preços dos combustíveis fósseis em 2022, aquando da invasão da Ucrânia pela Rússia. Nessa altura, o preço do petróleo aumentou quase 50% em poucas semanas, passando a barreira dos 100 dólares por barril.
Diz a Transport & Environment que nesse ano os europeus gastaram uns adicionais 55 mil milhões de euros nas estações de abastecimento. Pelos finais de junho, os preços ultrapassavam os dois euros por litro, o que significava que os condutores estavam a gastar entre 24 e 31 euros mais para encher um depósito de cinco litros do que antes da crise.
“A dependência da Europa do petróleo cria um premium geopolítico de cada vez que há volatilidade global”, sublinha Anthony Froggat, diretor das áreas de energia, aviação e transporte de mercadorias.
“Isso continuará a minar a economia da Europa e a pôr pressão sobre as famílias, a menos que acabemos estruturalmente com a dependência de combustíveis fósseis importados”, afirma, acrescentando, numa referência às energias renováveis, que “Donald Trump e os seus amigos na Rússia e na Arábia Saudita têm muito poder, mas não controlam o vento nem o sol”.
Froggat defende que a Europa tem de ter como prioridade dos veículos elétricos, as bombas de calor e a energia renovável “para garantir que isto não volta a acontecer”.
O custo adicional de 55 mil milhões de euros de 2022 aconteceu mesmo depois de os governos da União Europeia terem aberto mão de 30 mil milhões em impostos sobre os combustíveis. Essa medida fez baixar os preços para os consumidores no curto-prazo, mas, diz a Transport & Environment, “não conseguiram reduzir de forma estrutural a dependência face ao petróleo e peoteger a nossa economia de futuros choques de preços”.
Os cerca de 7,7 milhões de carros elétricos na Europa cortaram já o consumo de petróleo na região em 126 mil barris por dia. Tendo como referência os preços do petróleo em 2022, os condutores europeus com um veículo elétrico podem poupar cerca de 39 milhões de euros por dia.
Diz a organização os 136 mil milhões de euros em subsídios aos combustíveis fósseis concedidos em 2022 para amortizar a escalada dos preços poderiam ter sido canalizados para apoiar a compra de 5,4 milhões de carros elétricos abaixo dos 25 mil euros. Com isso, argumentam os especialistas desta organização, teria sido possível reduzir a dependência da UE face ao petróleo em 70 mil barris de crude por dia e poupado ao continente 2,5 mil milhões de euros por ano em importações de petróleo.
“Reduzir a quantidade de petróleo e gás que importamos é vantajoso para todos”, aponta Froggatt.
“Melhora a segurança económica, reduz as incertezas geopolíticas e diminui o nosso impacto climático. Recuar nas políticas e medidas que visam alcançar metas climáticas, como o abandono progressivo de carros a combustíveis fósseis até 2035 ou adiar a aplicação do preço do carbono da UE sobre o aquecimento e os combustíveis, servirá apenas para nos deixar menos seguros”, avisa o especialista.










