Todos os verões, e o que corre não é exceção, milhões de pessoas pelo mundo fora assomam às praias para se refrescarem, e nas malas muitos levam protetor solar para se escudarem da força do sol.
Contudo, apesar de nos protegerem a nós, muitos protetores solares têm impactos severos nos ecossistemas costeiros e marinhos, devido aos químicos que os cremes contêm. Sobretudo aos químicos usados para filtrar a radiação ultravioleta emanada pela nossa estrela, que já foram associados a riscos para organismos marinhos, como peixes, algas e corais.
Esse tipo de poluição pode ser duas vias: a direta e a indireta. A poluição direta acontece quando, com a pele coberta de protetor solar, entramos no mar para nadar ou fazer outra atividade. A indireta inclui a lavagem de toalhas que tenham servido para secar pele com protetor solar, a água que escorre do banho depois da praia e até mesmo a urina, onde são transportadas substâncias absorvidas pela pele.
Os métodos tradicionais de tratamento de águas residuais não conseguem ainda, de forma totalmente eficaz, eliminar a maioria dos componentes que constituem os filtros ultravioleta dos protetores solares, presentes, a nível global, na quase totalidade dos efluentes de águas residuais e em águas superficiais. Essas substâncias foram até já encontrada na Antártida e no Ártico.
Um novo estudo vem agora revelar que, apesar disso, muitas pessoas não fazem ideia de que os protetores solares podem também ser importantes fontes de poluição ambiental.
Num artigo publicado na revista ‘Marine Policy’, investigadores da Universidade de Plymouth e da organização Plymouth Marine Laboratory entrevistaram 281 pessoas para perceber os hábitos de uso de protetor solar e as perceções sobre esses produtos enquanto poluentes marinhos.
Os dados mostram que 55% dos inquiridos nunca tinha considerado os protetores solares como sendo prejudiciais para o ambiente marinho. Além disso, 81% diz não conhecer que existem protetores solares “reef-safe”, ou seja, que são feitos sem químicos que se sabe que são prejudiciais para esses ecossistemas.
“Isto demonstra bem como uma comunicação clara e acessível é fundamental para colmatar o fosso entre a investigação e a sensibilização do público”, diz Anneliese Hodge, primeira autora do artigo.
Estima-se que todos os anos sejam produzidos cerca de 10 milhões de toneladas de filtros ultravioleta ara o mercado global, e que, desse total, entre 6.000 e 14.000 toneladas sejam libertadas em zonas de recifes de coral. Por isso, os investigadores dizem que é essencial conhecer os hábitos de consumo das pessoas, bem como informar o público sobre os perigos dos protetores “convencionais” e sobre a existência de alternativas.
“Uma análise mais aprofundada dos hábitos de compra dos consumidores pode realmente fortalecer a nossa compreensão de como as pessoas escolhem protetores solares e de como é que essas escolhas podem mudar em resposta a futuras alterações de políticas ou a proibições de ingredientes, tal como tem acontecido noutras regiões”, salienta Hodge.
“Temos de saber porque é que as pessoas compram o que compram e se o importante é o preço, a impermeabilidade, o fator de proteção solar, preocupações com alergénios ou a mensagem ambiental. Temos também se saber se as pessoas estariam dispostas a mudar para uma alternativa com um melhor perfil ambiental suportado em investigação científica”, acrescenta.









