COP30: Papa alerta que as alterações climáticas também ameaçam a paz
O Papa alertou sexta-feira que a exploração desenfreada dos recursos naturais e o impacto das alterações climáticas também ameaçam a paz, numa mensagem dirigida à cimeira de líderes antes da COP30, em Belém, no Brasil.
“Se desejam cultivar a paz, cuidem da criação”, afirma Leão XIV na mensagem lida pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, presente na cimeira de líderes mundiais nas vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que decorre na cidade amazónica entre os próximos dias 10 e 21.
O Papa enfatizou que, nestes tempos difíceis, “a atenção e a preocupação da comunidade internacional parecem estar focadas principalmente nos conflitos entre nações”.
No entanto, observou, há uma “crescente consciência de que a paz está também ameaçada pela falta de respeito pela criação, pela exploração desenfreada dos recursos naturais e pela progressiva deterioração da qualidade de vida devido às alterações climáticas”.
Leão XIV pediu que a COP30 se torne um “sinal de esperança”, salientando a importância de respeitar as diferentes opiniões no esforço para se encontrar uma linguagem comum e consenso.
“Tendo em mente a responsabilidade que temos uns para com os outros e para com as gerações futuras” devem ser deixados de lado “os interesses egoístas”, defendeu.
Lamentando que os “que se encontram em situações mais vulneráveis” sejam “os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das alterações climáticas, da desflorestação e da poluição”, o Papa considerou vital transformar as palavras em “ações baseadas na responsabilidade, justiça e equidade”.
E dado que “a crise climática afeta todos”, aquelas ações devem incluir governos locais, autarcas, investigadores, jovens, líderes empresariais, organizações religiosas e não-governamentais, acrescentou.
Exortou ainda os países a “acelerarem corajosamente a implementação do Acordo de Paris e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas”.
Em relação ao acordo aprovado há 10 anos na capital francesa, através do qual os países se comprometeram a tudo fazer para impedir que as temperaturas subam além de 2ºC em relação à época pré-industrial, e de preferência que não ultrapassem os 1,5ºC, lamentou que continue a ser “longo e complexo” o “caminho para atingir as metas estabelecidas”.
O Papa chamou igualmente a atenção para a necessidade de desenvolver “uma nova arquitetura financeira internacional centrada no ser humano, que assegure que todos os países, especialmente os mais pobres e vulneráveis aos desastres climáticos, possam atingir o seu pleno potencial e vejam respeitada a dignidade dos seus cidadãos”.