Corço ajusta o seu comportamento para sobreviver em paisagens cada vez mais humanizadas

A constatação resulta de uma investigação, publicada recentemente na revista ‘Lanscape Ecology’, que contou com a participação da investigadora portuguesa Rita Tinoco Torres, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro.

Redação

O corço (Capreolus capreolus) é capaz de ajustar a forma como usa o espaço onde vive para lidar com múltiplos predadores e pressões humanas em paisagens cada vez mais humanizadas.

A constatação resulta de uma investigação, publicada recentemente na revista ‘Lanscape Ecology’, que contou com a participação da investigadora portuguesa Rita Tinoco Torres, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro.

Para explorar como o corço responde a paisagens de risco complexas, onde coexistem predadores naturais e pressões de origem humana, como a caça, a equipa de cientistas recorreu a uma grande base de dados a nível europeu, que inclui 412 indivíduos com colar GPS, em 17 áreas de estudo, de oito países da Europa, com dados de entre 2003 e 2020. Os corços que vivem em Portugal figuram também neste estudo, nomeadamente os das serras da Arada e de Montemuro, na região centro.

Dizem os autores que este trabalho contribui para uma melhor compreensão do que chama de “landscape of fear”, um conceito central na ecologia que descreve como o risco percebido influencia a distribuição e o comportamento das espécies presa. Em particular, o estudo mostra que a presença humana pode funcionar como um fator adicional de risco, moldando as decisões dos animais de forma semelhante ou complementar aos predadores naturais, como, no caso de Portugal, os lobos-ibéricos.

A investigação demonstra que, para minimizar o risco de ser predado, o corço “é capaz de ajustar o seu comportamento de forma muito flexível em resposta a diferentes fontes de risco”, explica Rita Torres.

“Compreender esta dinâmica é essencial para antecipar como as espécies irão responder a paisagens cada vez mais influenciadas pela atividade humana”, salienta a investigadora.

A equipa considera que, num contexto de crescente transformação das paisagens devido às atividades humanas, estes resultados têm implicações relevantes para a conservação da biodiversidade e para a gestão de ecossistemas, nomeadamente na definição de estratégias que considerem, ao mesmo tempo, a ecologia das espécies e a influência humana no território.

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